
Os relatos de uma safra robusta de café no Brasil seguem dando o tom negativo para as cotações na bolsa de Nova York. Diante de um cenário de aumento na oferta para o maior exportador de café do mundo, os contratos do arábica para março tiveram queda de 0,08% nesta quinta-feira (5/2), a US$ 3,0840 a libra-peso.
Ontem, o Itaú BBA elevou em 10% a previsão para a safra de café brasileira em 2026/27, que deve alcançar 69,3 milhões de sacas.
Hoje foi a vez da Companhia Nacional de Abastecimento trazer dados otimistas, com uma produção que deve atingir 66,2 milhões de sacas, aumento de 17,1%, e que seria também um recorde na visão da estatal.
“Ainda que o número da Conab faça pouco sentido ao considerar o balanço entre produção e exportação, as projeções para a safra de arábica (44,1 milhões de sacas) estão em linha com o que espera grande parte do mercado, uma vez que para os mais otimistas a produção desse tipo pode ser de 46 milhões de sacas”, destacou Vicente Zotti, sócio da Pine Agronegócios.
Ele acrescenta que os números da Conab corroboram com a movimentação do café em Nova York, que vem registrando preços mais baixos desde o final de janeiro, já se antecipando às projeções de produção no Brasil em 2026/27, e ainda a um cenário de demanda mais fraca.
Com o balanço entre oferta e demanda folgado em 2026, o analista da Zotti acredita que o café pode subir apenas por movimentos técnicos no curto prazo. Desse modo, os valores podem perder ainda mais fôlego em Nova York.
“A gente pode ter alta de 2 mil pontos em um pregão ou outro. Mas ao analisar nosso modelo de preços, ele aponta que os contratos para julho podem cair para próximo da região dos US$ 2,50, principalmente com o início da colheita no Brasil”, projetou.
Cacau
Sem mudanças nos fundamentos de oferta e demanda do cacau, os preços subiram na sessão após ajustes técnicos. Os contratos com entrega para março fecharam em alta de 3,01%, a US$ 4.209 a tonelada.
Açúcar
Nos negócios do açúcar em Nova York, os contratos do demerara para março fecharam em queda de 1,18%, a 14,27 centavos de dólar a libra-peso.
Suco de laranja
O suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) retomou a tendência que na bolsa de Nova York. Os lotes do produto concentrado e congelado para março fecharam em forte queda, de 5,89%, a US$ 1,5965 a libra-peso.
As cotações seguem direcionadas pela expectativa de aumento dos estoques globais, além de uma demanda enfraquecida em grandes regiões consumidoras, como os EUA e a Europa.
Algodão
O algodão fechou a sessão em Nova York com preços em leve queda. Os contratos para março recuaram 0,77%, a 61,76centavos de dólar a libra-peso.






