Dez navios estão programados para carregar, nos próximos dias, cerca de 660 mil toneladas de soja e farelo de soja com destino ao Irã, segundo dados da Alphamar Agência Marítima. De acordo com o sócio diretor da empresa, Arthur Neto, há grande incerteza sobre o destino das cargas após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã estarem levando companhias a retirarem navios da região do Estreito de Ormuz.
Dos dez navios, seis já estão na chamada área de fundeio dos portos brasileiros, aguardando para começar a carregar o produto. Outros quatro estão em trânsito, a caminho da costa brasileira. Do total, cinco devem sair do porto de Santos, quatro de Paranaguá (PR) e um do porto de Tubarão (ES). Cinco devem ser carregados com soja e os outros cinco, com farelo de soja.
“A grande incerteza é o que vai acontecer com esses dez navios que já estavam anunciados para o Irã. As tradings que estão vendendo essa carga vão manter o negócio? Ou os navios eventualmente serão destinados para outras rotas?”, disse Neto, à reportagem.
Segundo ele, a retirada de armadores (donos de navios) da região do Estreito de Ormuz bem como sobretaxas que vêm sendo cobradas por seguradoras, devem elevar os custos de frete marítimo para grãos e fertilizantes ao longo desta semana.
“Os principais armadores, por questões de sanção e de risco, estão se retirando da região (do conflito). As principais seguradoras já estão falando de uma sobretaxa, emitindo avisos exigindo seguro de risco de guerra para transitar pela área. Tudo isso vai aumentar bastante o frete marítimo para o transporte de grãos”, afirmou Neto. “E isso vai ser contabilizado nesta semana”, acrescentou.