A abertura do mercado da Índia para o feijão-guandu do Brasil pode representar um aumento de 30% a 40% das exportações do grão brasileiro para o mercado indiano. A avaliação é de Marcelo Lüders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), que acompanha, em Nova Délhi, a missão oficial do governo brasileiro ao país.
Lüders explica que, em 2025, a Índia importou 60% do feijão exportado pelo Brasil, por causa, principalmente, da variedade mungo preto, bastante demandada pelo país. A possibilidade de abertura de mercado para o feijão-guandu, que deve se concretizar nesta semana, é fruto de uma discussão de cinco anos sobre acordo fitossanitário.
“O Brasil vai trabalhar para aumentar a produtividade do guandu, diminuir o ciclo dele. O Brasil tende a ir ficando cada vez mais competitivo, como já é em outros feijões”, afirma Lüders.
O presidente do Ibrafe informa, por mensagens enviadas à reportagem, que conversou com representantes da diplomacia brasileira e da Câmara de Comércio Brasil-Índia. Diz que a expectativa até o momento é otimista para a abertura do mercado. Lembra, no entanto, que depende do que o lado indiano colocará na mesa de negociação.
“Na área privada, não há dúvida de que vai abrir, porque precisam do produto. Mas é uma negociação. Por mais que precisem, um acordo vai depender do que eles colocarem como contraparte. Isso ainda não se conseguir saber”, pontua.
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Estabilizar o mercado interno
Lüders acrescenta que a abertura de mercados para o feijão brasileiro é importante para estimular o produtor a investir na cultura e manter a estabilidade também do mercado interno. Ele lembra que a principal variedade cultivada no país, o carioca, não tem espaço no mercado internacional.
“Temos um grande mercado interno e o fato de o carioca não ter mercado para exportação leva ao que aconteceu no ano passado. O produtor vendeu no custo e não investiu e o preço deve subir. Nossa expectativa é de que haja mais previsibilidade no mercado interno com esse trabalho no exterior”, analisa.
Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontam que preço do feijão-carioca em fevereiro chegou a ficar 20% superior do de janeiro. Restrições de área na primeira e segunda safras, além de dificuldades na colheita, são as justificativas dos pesquisadores.
Relações bilaterais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e parte da comitiva brasileira desembarcaram em Nova Délhi nesta quarta-feira (18/2). Entre os principais compromissos, está a participação em uma conferência sobre os impactos do uso da Inteligência Artificial no mundo. Lula deve discursar no evento.
A visita oficial é vista pelo governo brasileiro como uma oportunidade de fortalecer a agenda bilateral em diversos segmentos, incluindo o agronegócio. Com a viagem, Lula retribui a visita oficial do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, ao Brasil, no ano passado. Os dois chefes de estado devem se encontrar no sábado (21/2).
A agenda oficial inclui ainda a realização do Fórum Empresarial Brasil-Índia, também no sábado. Um dia antes, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) inaugura seu escritório em Nova Délhi.
O Brasil mantém relações diplomáticas com a Índia desde 1948, logo após a independência do país. Ao menos nos últimos 20 anos, o mercado indiano ganhou relevância, passando da 23ª (2005) para 10ª colocação (2025) entre os principais destinos das exportações brasileiras, com crescimento médio de 9,4% ao ano no período.
No ano passado, as vendas do Brasil para a Índia somaram U$ 6,9 bilhões em produtos. O valor foi um novo recorde, superando o registrado em 2022 (US$ 6,3 bilhões) A balança comercial, no entanto, foi negativa para o lado brasileiro em 2025, com compras de US$ 8,3 bilhões.