BC determina que BRB faça provisionamento de R$ 2,6 bilhões para cobrir fraude do Banco Master

O Banco Central (BC) determinou que o Banco de Brasília (BRB) realize um provisionamento de R$ 2,6 bilhões em seu balanço para cobrir perdas decorrentes da compra de carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master. A medida, formalizada por termo de comparecimento em 7 de janeiro, reflete investigações que apontam irregularidades em operações no valor de R$ 12,2 bilhões, das quais o BRB recuperou cerca de R$ 10 bilhões até a liquidação do Master.

O esquema envolveu a venda de carteiras sem lastro real pelo Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, preso na Operação Compliance Zero da Polícia Federal em novembro de 2025. Segundo denúncias do BC ao MPF, o Master adquiriu papéis da consultoria Tirreno sem pagamento e os repassou ao BRB, configurando indícios de gestão fraudulenta.

O patrimônio de referência do BRB é de R$ 6,5 bilhões, e o banco avalia a qualidade dos ativos recebidos do Master para possíveis aportes adicionais, visando manter índices como o de Basileia. Em nota, a instituição reafirma solidez, com patrimônio líquido de R$ 4,5 bilhões, e menciona investigação forense independente pela Machado Meyer e Kroll.

O BRB colabora com o BC e autoridades, destacando plano de recomposição de capital caso prejuízos se confirmem, e garante operação normal de serviços. O novo presidente, Nelson Antônio de Souza, discutiu o tema com o presidente do BC, Gabriel Galípolo.

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Will Bank

Na última quarta (21), o BC decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, operando como Will Bank, banco digital controlado pelo Banco Master, devido ao comprometimento de sua situação econômico-financeira, insolvência e vínculo de controle com o conglomerado já liquidado.

A medida estende a liquidação do Banco Master, determinada em 18 de novembro de 2025, após revelação de fraudes como a venda irregular de carteiras de crédito sem lastro ao Banco de Brasília por R$ 12 bilhões e a prisão do controlador Daniel Bueno Vorcaro por irregularidades na gestão.

Inicialmente, o Will Bank foi preservado sob Regime de Administração Especial Temporária (RAET) em novembro, com investidores interessados em sua aquisição, mas o descumprimento de um arranjo de pagamentos com a Mastercard em 19 de janeiro inviabilizou a continuidade, tornando a liquidação inevitável.

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Entenda o caso Master

O escândalo envolvendo o Banco Master é apontado como uma das maiores fraudes financeiras já registradas no Brasil. O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025 devido a graves irregularidades financeiras e suspeitas de fraudes bilionárias.

O banco, controlado por Daniel Vorcaro, praticou manipulação contábil para inflar ativos, emissão de títulos falsos, venda de carteiras de crédito fictícias ao Banco de Brasília por R$ 12 bilhões e uso de fundos para simular operações e ocultar prejuízos, totalizando cerca de R$ 11-12 bilhões em desvios.

A Polícia Federal conduz a Operação Compliance Zero, com fases que revelaram uso de laranjas, empréstimos simulados, compras superfaturadas e lavagem de dinheiro, levando à prisão temporária de Fabiano Zettel (cunhado de Vorcaro) e buscas contra Nelson Tanure.

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O ministro Dias Toffoli, relator no STF, prorrogou investigações por 60 dias, determinou quebra de sigilo de 101 pessoas/empresas, bloqueio de R$ 5,7 bilhões e apreensão de bens como 39 celulares, 31 computadores e R$ 16 milhões em veículos.

O caso ganhou contornos políticos com redes de influência em Brasília, contratos suspeitos com escritórios ligados a familiares de ministros e críticas à condução de Toffoli, que centralizou provas na PGR.

O FGC atende 1,6 milhão de investidores com R$ 41 bilhões em CDBs, recebendo 600 mil pedidos de ressarcimento até agora, enquanto a liquidação se estendeu à Will Financeira (Will Bank) em 21 de janeiro de 2026. As investigações apontam ainda conexões com lavagem para o PCC via Reag DTVM (também liquidada) e padrões de luxo sustentados por desvios.

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