
Diante de uma demanda crescente por equipamentos de irrigação e maior acesso a crédito por parte dos produtores rurais, a Bauer espera dobrar seu faturamento com vendas na Argentina. A meta é atingir US$ 8 milhões neste ano, o dobro do registrado em 2025.
No Brasil, a companhia austríaca faturou R$ 600 milhões no ano passado, um leve crescimento de 3% comparado a 2024. Para 2026, a expectativa é de estabilidade, segundo Rodrigo Parada, CO-CEO da Bauer do Brasil.
“Não vou ser otimista para falar que vai ser melhor este ano, mas também não acho que vai ser pior. Andar de lado, ao menos até as eleições [presidenciais], é o que deve acontecer”, diz o executivo ao Valor.
Enquanto isso, a empresa dá sequência a uma estratégia de ampliação de negócios com a Argentina, fruto da parceria com o Grupo Criolani, que é responsável pela revenda dos equipamentos naquele mercado desde meados de 2024. Esse foi o principal passo da Bauer para expandir sua atuação na América Latina e reduzir a dependência dos negócios no Brasil.
De acordo com Parada, já existia uma expectativa de bom desempenho na Argentina, mas a rapidez com que os avanços estão acontecendo surpreende.
“Existe uma demanda reprimida na Argentina. O mercado permaneceu por anos com crise financeira e agora voltou a ter crédito e voltou uma demanda para tudo, máquinas agrícolas, irrigação, etc”, explica.
Para conter os impactos da variação cambial, Parada afirma que os agricultores argentinos estão buscando recursos com instituições estrangeiras, em dólar. Isso contribui, também, para reduzir os efeitos da movimentação nos preços internacionais dos grãos.
“Cliente que trabalha dolarizado não sofre tanto com queda nos preços das commodities. Os brasileiros ainda tendem a trabalhar muito com real”, observa o executivo.
Rodrigo Parada, CO-CEO da Bauer do Brasil
Divulgação
“Os argentinos, quando conseguem o crédito em dólar, o juro cai dos 30% que seriam com bancos locais para 6%, e eles só conseguem com empresas que trabalham com produtos em dólar também, e a commodity é um deles”, completa, citando as operações de financiamento por barter. Nessa modalidade, o produtor rural adquire insumos e faz o pagamento com os produtos que cultiva em sua lavoura.
Outro fator que incentiva a adoção de irrigação é a garantia de melhora na produtividade na lavoura e blindagem contra problemas climáticos.
“Existe uma tendência ainda grande de investimento mesmo com a soja em baixa, porque se você tem uma garantia de produção você consegue ter rentabilidade grande”, diz o executivo.
Dos US$ 4 milhões faturados em 2025, em torno de 70% são provenientes de vendas de equipamentos de irrigação, que são fornecidos pela companhia no Brasil. O restante é composto por negócios na área de tratamento de cultivos, que vêm da sede da Bauer, na Áustria.
“Neste ano nós gostaríamos de faturar o dobro na Argentina. Estamos em fevereiro e já estamos com US$ 4 milhões comercializados, por isso acreditamos que será possível chegar a US$ 8 milhões, essa é a meta”, estima Parada.
Atualmente, a Argentina é o principal mercado da Bauer do Brasil na exportação, mas o trabalho de diversificação de compradores fez com que a companhia também atenda produtores no Uruguai, Peru, Colômbia, Paraguai e México.
“Minha expectativa é que a América Latina represente 20% dos resultados da Bauer Brasil”, afirma.






