Banco Central decreta liquidação do Will Bank, banco digital do grupo Master

O Banco Central (BC) decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, operando como Will Bank, banco digital controlado pelo Banco Master, devido ao comprometimento de sua situação econômico-financeira, insolvência e vínculo de controle com o conglomerado já liquidado.

A medida estende a liquidação do Banco Master, determinada em 18 de novembro de 2025, após revelação de fraudes como a venda irregular de carteiras de crédito sem lastro ao Banco de Brasília por R$ 12 bilhões e a prisão do controlador Daniel Bueno Vorcaro por irregularidades na gestão.

Inicialmente, o Will Bank foi preservado sob Regime de Administração Especial Temporária (RAET) em novembro, com investidores interessados em sua aquisição, mas o descumprimento de um arranjo de pagamentos com a Mastercard em 19 de janeiro inviabilizou a continuidade, tornando a liquidação inevitável.

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O presidente do BC, Gabriel Galípolo, assinou o ato nomeando um liquidante com amplos poderes para administrar o processo, apurar responsabilidades e aplicar sanções administrativas, com possível encaminhamento às autoridades competentes.

Maurício Antônio Quadrado, ligado ao Will Bank, foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero na semana passada, identificado como sócio oculto de Vorcaro, ampliando as investigações sobre o grupo.

Com a interrupção de atividades, contas correntes, contas de pagamento e concessões de crédito foram bloqueadas, mas CDBs emitidos pela Will Financeira agora são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250 mil por CPF/CNPJ.

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O processo pode elevar em até R$ 6,5 bilhões o maior resgate já realizado pelo FGC – referente ao Master –, sobrecarregando o fundo e gerando preocupações no mercado sobre a estabilidade de fintechs vinculadas a grupos problemáticos.

Entenda o caso Master

O escândalo envolvendo o Banco Master é apontado como uma das maiores fraudes financeiras já registradas no Brasil. O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025 devido a graves irregularidades financeiras e suspeitas de fraudes bilionárias.

O banco, controlado por Daniel Vorcaro, praticou manipulação contábil para inflar ativos, emissão de títulos falsos, venda de carteiras de crédito fictícias ao Banco de Brasília por R$ 12 bilhões e uso de fundos para simular operações e ocultar prejuízos, totalizando cerca de R$ 11-12 bilhões em desvios.

A Polícia Federal conduz a Operação Compliance Zero, com fases que revelaram uso de laranjas, empréstimos simulados, compras superfaturadas e lavagem de dinheiro, levando à prisão temporária de Fabiano Zettel (cunhado de Vorcaro) e buscas contra Nelson Tanure.

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O ministro Dias Toffoli, relator no STF, prorrogou investigações por 60 dias, determinou quebra de sigilo de 101 pessoas/empresas, bloqueio de R$ 5,7 bilhões e apreensão de bens como 39 celulares, 31 computadores e R$ 16 milhões em veículos.

O caso ganhou contornos políticos com redes de influência em Brasília, contratos suspeitos com escritórios ligados a familiares de ministros e críticas à condução de Toffoli, que centralizou provas na PGR.

O FGC atende 1,6 milhão de investidores com R$ 41 bilhões em CDBs, recebendo 600 mil pedidos de ressarcimento até agora, enquanto a liquidação se estendeu à Will Financeira (Will Bank) em 21 de janeiro de 2026. As investigações apontam ainda conexões com lavagem para o PCC via Reag DTVM (também liquidada) e padrões de luxo sustentados por desvios.

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