Depois de um 2025 com adversidades, mas que rendeu sobras (lucro distribuído entre os cooperados) de R$ 1,2 bilhão, alta de 43,5% no comparativo anual, a Aurora Coop vai ampliar as apostas na área de suínos neste ano. O segmento deve abocanhar a maior parte do investimento de R$ 1,1 bilhão planejado pela cooperativa para expandir suas operações em 2026.
Ao Valor, o presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, afirmou que a unidade que mais vai receber recursos é a de São Miguel do Oeste (SC), uma planta que processa 2 mil suínos por dia e vai passar a 5 mil até o segundo semestre de 2027, quando a obra de ampliação for concluída.
“O mercado interno vem consumindo a proteína suína com maior intensidade, já crescemos nessa área e a gente aposta que ainda há espaço para crescer mais”, disse. “Nas aves, se constata uma oferta exagerada no mercado, não podemos nos expor”, acrescentou.
No ano passado, a cooperativa investiu R$ 885 milhões, basicamente, na ampliação de suas fábricas em todas as áreas de atuação. Além de suínos, a Aurora está presente em aves, lácteos, e em proporções menores em massas, pescados, vegetais e bovinos.
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Segundo balanço financeiro, houve crescimento de 8,3% na receita operacional bruta de 2025, para R$ 26,9 bilhões, mesmo diante de um desempenho limitado na área de aves.
Isso porque clientes importantes como China e União Europeia ficaram fora das compras de frango do Brasil por meses em 2025, em função de um foco de gripe aviária ocorrido em uma granja comercial do Rio Grande do Sul em maio e encerrado em junho.
“O ano de 2025 nós podemos dividir entre os dois semestres. Estava indo muito bem inicialmente, mas a partir do momento em que tivemos a influenza aviária no país, tivemos que administrar esse problema”, lembrou Canton.
Foi necessário lidar com estoques elevados, gargalos no alojamento das aves e, como consequência, o desempenho do setor foi “infinitamente” menor que o esperado no segundo semestre, segundo o presidente da Aurora.
À medida em que os compradores estrangeiros foram retomando as importações de frango, as condições desse mercado voltaram a ser consideradas positivas. Ao mesmo tempo, bons resultados foram proporcionados pelo consumidor doméstico.
As vendas da Aurora no mercado interno subiram 13,5% em 2025 e totalizaram R$ 15,6 bilhões, com destaque para as receitas obtidas com os segmentos de suínos (R$ 9,4 bilhões) e aves (R$ 3,3 bilhões). Ambos cresceram 14,5% e 14,3%, respectivamente.
Já as exportações renderam um faturamento de R$ 9,1 bilhões, alta de 2,2%. O segmento de carnes suínas contribuiu com R$ 4,3 bilhões, avanço de 7,6%, enquanto as aves tiveram queda de 2,4% para R$ 4,8 bilhões.
“Prevemos que, se não tivermos novos problemas sanitários, 2026 será um ano de mercado externo promissor”, estimou Canton.
Na produção, o saldo ficou no azul. As oito plantas industriais de suínos da Aurora Coop abateram 8,2 milhões de cabeças em 2025, aumento de 2,6%, enquanto as nove unidades de aves processaram 347,9 milhões de frangos, leve alta de 1,4%.
O presidente da Aurora disse que a cooperativa vem monitorando o consumo interno, e é otimista, mas precisará aplicar reajustes de preço em seu portfólio de produtos devido aos custos que estão deixando as margens apertadas. Além dos grãos usados na ração animal, há também despesas com energia, embalagens e mão de obra, por exemplo.
De acordo com Neivor Canton, a cooperativa criou 3.591 novos empregos no ano passado e, com isso, a Aurora superou a marca de 50 mil empregados. Cerca de dois terços dessa mão de obra é estrangeira, observou o dirigente, acrescentando que há dificuldades para encontrar trabalhadores disponíveis no setor atualmente.