
Com recados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, os representantes da União Europeia e do Mercosul assinaram neste sábado o acordo de livre comércio entre os dois blocos. Após mais de 25 anos de negociações, a assinatura foi realizada em uma cerimônia reunindo presidentes, ministros das relações exteriores e representantes da diplomacia europeia em Assunção, no Paraguai.
A cerimônia começou com o discurso de sete representantes dos blocos envolvidos. Os presidentes do Paraguai, Santiago Peña, da Argentina, Javier Milei, do Uruguai, Yamandú Orsi, e da Bolívia, Rodrigo Paz, discursaram. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não esteve presente e o Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Em seu discurso, Vieira destacou a importância da cooperação, diálogo e de soluções construídas de forma coletiva. O ministro mencionou que o cenário internacional é mercado por incertezas e tensões. “O acordo representa um baluarte erguido com sólida convicção no valor da democracia e da ordem multilateral, diante de um mundo batido pela imprevisibilidade, pelo protecionismo e pela coerção”.
Pelo lado da União Europeia, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen e o presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, discursaram. O evento ainda reservou um espaço para discurso do presidente do Panamá, José Mulino, que foi convidado a participar da cerimônia.
Em seu discurso, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o acordo manda uma mensagem “forte” para o mundo de escolha do comércio no lugar de tarifas. “Nós escolhemos comércio justo sobre as tarifas. Escolhemos uma parceria produtiva e de longo termo no lugar de isolamento. Acima de tudo, temos a intenção de entregar benefícios reais e tangíveis para nossos povos e nossas empresas”, disse.
O presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, seguiu na mesma linha e afirmou que o acordo manda uma mensagem de defesa do livre comércio e do multilateralismo do direito internacional como base das relações entre os países.
Já o presidente da Argentina, Javier Milei, citou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump no contexto da situação da Venezuela. “A situação que atravessa a Venezuela mostra essa realidade [de isolamento e crescimento da pobreza]. Por essa razão, valorizamos a decisão e determinação demonstrada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e por todo seu governo”, citando a captura de Nícolas Maduro e classificando o venezuelano de “ditador” e “terrorista”.
Antes do início do evento Lula, nas redes sociais, chamou a assinatura do acordo de “marco histórico” e destacou que tanto a União Europeia quanto o Mercosul terão benefícios com a tratativa. “O Acordo representa a vitória do multilateralismo e trará benefícios para as populações dos países do Mercosul e da União Europeia. Um marco histórico de fortalecimento do diálogo e do entendimento entre os blocos, que vai criar oportunidades mútuas de emprego, geração de renda, desenvolvimento sustentável e progresso econômico”, afirmou o presidente brasileiro.
Depois dos discursos, os ministros das relações exteriores dos países do Mercosul, Pablo Quirno (Argentina), Mauro Vieira (Brasil), Mario Lubetkin (Uruguai) e Rubén Ramirez (Paraguai), além do comissário de Comércio e Segurança Econômica da União Europeia, Maroš Šefčovič, assinaram o acordo. Como parte do cerimonial, ainda está prevista uma coletiva de imprensa e um almoço oficial no Palácio de Governo do Paraguai.
Ainda que o acordo tenha sido assinado, ainda há processos formais para que o texto entre em vigor. Por exemplo, ele precisa ser internalizado por aprovação legislativa nos país e no Parlamento Europeu. Caso o Congresso Nacional brasileiro já aprove, o acordo começa a valer para o Brasil.






