A guerra no Oriente Médio segue pressionado para cima os preços do petróleo, que por sua vez arrasta a valorização da soja e também do milho na bolsa de Chicago. Nesta quinta-feira (5/3), os contratos da oleaginosa com vencimento em maio fecharam em alta de 0,83%, a US$ 11,7925 o bushel.
O petróleo subiu mais de 4% nesta quinta-feira, com o mercado atento aos desdobramentos do conflito, como o fechamento do Estreito de Ormuz. O fóssil mais caro costuma puxar a alta dos preços dos óleos vegetais, e fez o óleo de soja subir mais de 3% hoje, ajudando no fechamento do grão.
Segundo Ronaldo Fernandes, analista da Royal Rural, a guerra no Oriente Médio pode fazer os preços caírem, como aconteceu nesta quarta (4), com o sentimento de aversão ao risco crescendo entre os investidores. Mas ela também tem o efeito contrário, principalmente ao considerar as variações do petróleo.
“O petróleo, em conjunto com o dólar, virou ativo de segurança nesse momento de instabilidade geopolítica. Enquanto a gente tiver o estreio [de Ormuz] fechado e a China ainda manter alguma presença nas compras de soja dos EUA, Chicago pode subir. Isso, no entanto, não é uma tendência”, disse.
Milho
O milho fechou a sessão com preços em forte alta. Os contratos para maio subiram 2,20%, para US$ 4,5350 o bushel.
De acordo com Ronaldo Fernandes, da Royal Rural, além do petróleo, o fechamento do Estreito de Ormuz também traz reflexos para o milho negociado na bolsa.
“Quarenta e cinco por cento dos nitrogenados passam pelo estreito. Esse é um insumo muito importante para o milho de regiões como os EUA e a Europa. Acontece que alguns produtores ainda não efetuaram as compras do produto, e isso pode ter aumento no custo de produção lá na frente”, pontuou Fernandes.
O milho também avaçou após dados robustos de demanda pelo cereal americanos. As vendas líquidas alcançaram 2 milhões de toneladas na semana encerrada em 26 de fevereiro. Na semana imediatamente anterior, o volume negociado foi de 685,8 mil toneladas, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).
Trigo
O trigo avançou na bolsa de Chicago devido à continuidade das más condições para as lavouras de inverno nos Estados Unidos. Os contratos com entrega para maio fecharam em alta de 2,73%, a US$ 5,8375 o bushel.
As regiões das Grandes Planícies, maior região produtora de trigo nos EUA, segue sob estresse climático, com chuvas abaixo do ideal. Nesse sentido, o Departamento de Agricultura dos EUA disse que 56% das áreas do cereal de inverno.