O banco AL5 Amaggi, antigo AL5 Bank, promove mudanças na operação para acelerar o seu ritmo de crescimento, que foi de 34% em 2025 em relação ao ano anterior, atingindo uma carteira de crédito de R$ 1,34 bilhão. O plano da instituição é ampliar a carteira de crédito para R$ 10 bilhões até 2030.
Para isso, trabalha no desenvolvimento de novos produtos, na abertura de novas unidades no país e na captação de recursos financeiros de terceiros (funding).
“Queremos ser um dos players relevantes no financiamento do agronegócio. Vamos buscar outros fundings, distribuir recursos do BNDES, por exemplo”, afirmou ao Valor Rafael Alessi, diretor-presidente da AL5 Amaggi. O executivo disse que o banco tem musculatura para fazer repasse dos recursos do BNDES para investimento. “Está nos planos buscar este ano esse recurso. E, dentro de uns dois anos, buscar recursos subsidiados [do Plano Safra] para entregar um mix que o produtor deseja”, acrescentou.
Para obter aval para o repasse de recursos subsidiados do Plano Safra, no entanto, o banco precisa ganhar mais musculatura, segundo Alessi, que trabalhou por 25 anos no Banco do Brasil antes de assumir o comando do AL5 Amaggi, em 2024.
O banco também busca funding estrangeiro com custo menor, disse o executivo. A instituição tem ainda mantido conversas com parceiros para ampliar a oferta de serviços como seguros e consórcios.
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O AL5 Amaggi foi criado para oferecer operações de capital de giro para empresários e produtores que negociam com a Amaggi, ocupando uma lacuna deixada pelos grandes bancos. Atualmente, o grupo trabalha com cerca de 11 mil fornecedores recorrentes, em todo o país.
Também oferece serviços para pessoas físicas, como crédito consignado, cartões, financiamento de veículos. “O propósito é ser relevante no crédito para o agronegócio e ter uma atuação mais ampla, bem próxima de um banco comercial”, afirmou Alessi.
Como parte do processo de mudanças, em novembro de 2025, a instituição financeira mudou o nome de AL5 Bank para AL5 Amaggi, para deixar mais clara a associação entre o banco e o grupo da família Maggi. Segundo o executivo, o novo nome ajuda no trabalho de captação de recursos junto a investidores privados, gerando mais confiança.
Alessi disse que o banco usa muita tecnologia digital para ganhar escala, mas não abre mão de manter um relacionamento próximo com os clientes. Por isso, ampliou o número de escritórios de 11 em 2024 para 16 este ano. As unidades estão distribuídas em Mato Grosso, Rondônia, Minas Gerais, Goiás, Paraná, Pará e região do Matopiba (confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).
O banco também ampliou o portfólio de serviços, com o lançamento recente da CPR em dólar, voltada para produtores rurais com receita atrelada ao mercado internacional, especialmente nas cadeias de soja, milho, café e algodão. A modalidade permite alinhar o financiamento à moeda usada para comercializar a produção, trazendo mais previsibilidade ao fluxo financeiro e reduzindo perdas com a oscilação do câmbio.
De acordo com o executivo, já foram formalizadas duas operações-piloto e o objetivo é tracionar a operação a partir de agora, quando os produtores já começam a buscar financiamento dos custos da safra 2026/27.
A expectativa do banco é iniciar a operação com aproximadamente R$ 100 milhões e evoluir até R$ 300 milhões na próxima safra.
Alessi observou que, no início da década, cerca de 40% da demanda de crédito do agronegócio era equalizado com o Plano Safra. Outros 33% eram recursos do produtor e o restante, do mercado. Atualmente, o recurso do produtor caiu para 25% e o recurso oficial baixou para 30% da demanda de crédito.
“Então, hoje 45% do crédito é privado. Teve muita gente que entrou nesse mercado sem avaliar corretamente os riscos. É preciso ter atores que entendam o agronegócio. A gente busca utilizar ao máximo a expertise que a Amaggi tem para avaliar e mitigar os riscos”, afirmou.