
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, defendeu um “entendimento setorial”, com participação de pecuaristas, frigoríficos e governo, para enfrentar as mudanças de mercado geradas pela aplicação de salvaguardas pela China na importação de carne bovina. A intenção é que a cadeia busque uma organização para evitar prejuízos maiores, como efeitos colaterais da decisão do principal parceiro comercial do setor brasileiro.
“A ideia é que a cadeia toda tenha consciência de que se não nos organizarmos os prejuízos serão maiores ainda”, afirmou Perosa, ao Valor. “Os pecuaristas também estão inseguros. Ou temos um tratamento mais constante, balizado, ou pode ter impacto grande, e é isso que queremos evitar”, explicou ao se referir ao preenchimento da cota de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina autorizada para 2026 com a tarifa de 12%. O excedente pagará 67%. Em 2025, o Brasil embarcou 1,67 milhão de toneladas de proteína vermelha aos chineses.
O receio é com os efeitos no mercado pecuário, com reflexos na cotação da arroba do boi e nos investimentos no rebanho, com uma possível corrida desordenada para atendimento à cota. O executivo disse que mantém conversas com representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) sobre o assunto.
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“Se não tiver um acordo setorial será muito ruim, porque pode haver vales tanto de preço de produto quanto de matéria-prima, e isso é prejudicial para a cadeia, isso quebra empresas e a produção agrícola, sem contar com as intempéries do clima”, avaliou Perosa.
Entre os pedidos apresentados ao governo federal nesta semana está a criação de linha de crédito para a cadeia. A duração precisa ser de, no mínimo, três anos, defendeu Perosa, prazo inicial de aplicação das salvaguardas chinesas. “O apoio com crédito tem que ser para toda a cadeia para conseguir carregar o rebanho. Se houver baixa de investimento em rebanho neste ano, haverá pressão depois, o resultado é de longo prazo”, explicou o dirigente.
A reportagem procurou a CNA, mas não obteve retorno.






