
Traders de grãos ouvidos pelo Valor avaliam que o conflito no Irã, principal destino do milho brasileiro, deve ter impacto limitado sobre os preços do grão no mercado local no curto prazo.
Isso porque, sazonalmente, o país importa mais milho do Brasil a partir de julho, quando começa a colheita da segunda safra, e estende as compras até janeiro. Depois disso, as importações diminuem com a menor disponibilidade do grão, segundo uma fonte que falou em condição de anonimato.
A fonte acrescentou que o Irã já havia comprado grandes volumes até então, cerca de 7,9 milhões de toneladas de milho de um total de 39,2 milhões de toneladas exportadas pelo Brasil. O volume, segundo a fonte, superou o do ano passado em razão da menor disponibilidade de oferta da Rússia e da Ucrânia no último ano.
A mesma fonte comentou, ainda, que não está claro se o Irã vai reduzir suas compras de milho a partir de agora, tendo em vista que a população local continuará precisando de alimento.
Leia também
Entenda o impacto do conflito no Irã em diferentes segmentos do agronegócio
Guerra no Irã deve elevar custo de fretes no pico do escoamento de safra no Brasil
Conflito já impacta preço da ureia em mais de 10%
Uma segunda fonte ouvida pela reportagem concorda que os efeitos do conflito sobre os preços do milho tendem a ser limitados por ora, mas avalia que, a depender da duração dos ataques, poderiam pressionar os preços locais no segundo semestre, quando o Brasil começa a colher o milho de inverno, se o conflito se estender até lá.
Uma terceira fonte, que também falou sob reserva, ponderou que, apesar de boa parte das exportações para o Irã já terem ocorrido, a comercialização do milho brasileiro – 80% do total no momento – está atrasada em comparação ao porcentual apurado no mesmo período do ano passado, 92%. Além disso, o país produziu em torno de 25 milhões de toneladas a mais, lembrou.
Para esta fonte, o Brasil não está em condição de perder demanda e os preços do grão brasileiro, diferentemente do observado em anos anteriores nesta época, seguem competitivos apesar da disputa por espaço com a soja nos terminais. Com a oferta local e eventual redução de demanda do Irã, os prêmios pagos pelo milho brasileiro podem recuar, disse.






