Desmatamento na Floresta do Aeroporto, em Fortaleza, gera alagamentos e transtornos a moradores

Os impactos do desmatamento de uma área verde no entorno do Aeroporto de Fortaleza, conhecida como Floresta do Aeroporto, já são observados pelos moradores, que vêm sofrendo com alagamentos e transtornos diversos. A comunidade vizinha ao local passou a ser impactada com esses problemas que, segundo os relatos, começaram após a retirada da vegetação.

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O desmatamento aconteceu para obras de ampliação realizadas pela concessionária Fraport, com autorização da Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará (Semace), iniciadas em setembro de 2024.

Moradora relata alagamentos após derrubada de árvores na Floresta do Aeroporto, em Fortaleza

Há mais de 40 anos, a técnica de enfermagem Maria Rabelo construiu a vida na Vila Gomes, no bairro Aerolândia, em Fortaleza. Durante todo esse tempo, nunca tinha enfrentado alagamentos. Mas a realidade mudou. Hoje, ela convive com rachaduras nas paredes e problemas na instalação elétrica, depois que a casa ficou tomada pela água na primeira grande chuva registrada na cidade este ano. “Na última chuva agora, a água ficou para dentro das casas das pessoas. Era uma correnteza que a gente não entendia. A água jorrava pelo piso.”

Segundo os moradores, com a retirada da vegetação e o avanço das obras, a água da chuva passou a escoar diretamente para dentro da comunidade. Com as primeiras chuvas da quadra chuvosa de 2025, aconteceu o que os moradores da Vila Gomes mais temiam: o alagamento das ruas.

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A força da enxurrada foi tanta que abriu um buraco no muro que separa a área devastada das casas da comunidade. Por essa abertura, a água ganhou velocidade e invadiu a residência da avó de Vládia, arrastando lama, areia e entulho. Não aconteceu uma tragédia porque não havia ninguém em casa, mas não sobrou nada dentro da residência. Até agora, ninguém se responsabilizou pelo prejuízo.

A autônoma Vládia Santos relata o momento de tensão: “Foi uma coisa, assim, de terror. Coisa que nunca aconteceu aqui. A água invadindo a rua com correnteza, invadindo as casas, residências, os moradores todos preocupados.”

Problema persiste e acende alerta no início da quadra chuvosa

O problema retornou este ano. A primeira grande chuva de 2026, no dia 27 de janeiro, já foi suficiente para confirmar o medo dos moradores: ruas tomadas pela água, lama invadindo casas e prejuízos jamais registrados na comunidade em décadas de história. Além dos alagamentos, há casas rachadas, rede elétrica comprometida e uma série de transtornos. Mesmo quando para de chover, a água continua sendo problema para a comunidade.

Uma tentativa de escoamento foi feita no local, mas o serviço é considerado apenas um paliativo pela comunidade. Para especialistas, a situação era previsível. A retirada da vegetação reduziu a capacidade do solo de absorver a água da chuva, fazendo com que o volume escoasse diretamente para as áreas mais baixas. O desmatamento da área, além de transtornos e prejuízos para a comunidade, causou grande impacto ambiental.

Impacto ambiental

O biólogo e professor da UFC, Marcelo Moro, avalia a gravidade do ocorrido: “É um desastre para a cidade de Fortaleza perder uma floresta do porte e da importância ecológica daquela do Aeroporto. Quer dizer, e a importância ecológica era tão grande que já há muito tempo, alguns anos antes, já se estava propondo a criação de uma unidade de conservação, que seria a área de relevante interesse ecológico da Floresta do Aeroporto.”

No caso do desmatamento da Floresta do Aeroporto, os efeitos foram sentidos rapidamente e de forma bastante visível. Um artigo científico desenvolvido no curso de Ciências Ambientais do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC) mostra o mapa de áreas desmatadas dentro de Fortaleza. A análise da pesquisa revelou que apenas cerca de 16% da superfície da capital cearense ainda possui fragmentos de vegetação nativa, muitos com sinais de degradação.

Marcelo Moro também chama atenção para o cenário mais amplo: “Parte dessas florestas que sobrou na cidade está sendo ou desmatada de modo ilícito ou licenciada.”

Na Vila Gomes, o medo é que o pior ainda esteja por vir. Com o avanço da quadra chuvosa de 2026, os moradores cobram soluções definitivas e esperam que o preço do desenvolvimento não continue sendo pago por quem mora perto da obra.

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