
O mercado brasileiro de seguros pecuários e de animais atingiu volumes recordes em 2025. Entre janeiro e outubro, a arrecadação somou R$ 187,6 milhões, alta de 24% na comparação com o mesmo período de 2024 e de 267% em relação a 2021, quando o volume arrecadado foi de R$ 51,1 milhões. Os dados fazem parte de levantamento conjunto da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).
O seguro pecuário é voltado à produção (gado de corte, leite, cria e engorda) e integra o seguro rural, cobrindo morte por doenças ou acidentes e garantindo o faturamento. Também inclui atividades como coleta de sêmen e transferência de embriões, e possui isenção tributária. Já o seguro de animais é voltado a criações de elite, domésticas ou de segurança, como aquelas destinadas ao lazer ou a provas esportivas, não sendo enquadrado como seguro rural e, portanto, sem benefício fiscal.
O estudo mostra que o seguro pecuário respondeu pela maior fatia do crescimento, com R$ 165 milhões em prêmios no período, avanço de 25,9%. Já o seguro de animais arrecadou R$ 22,6 milhões, crescimento de 11,4%.
O levantamento também mostra aumento no pagamento de indenizações, sinalizando maior uso das coberturas. Entre janeiro e outubro, de 2021 a 2024, as indenizações do seguro pecuário cresceram 46,1%, passando de R$ 8,6 milhões para R$ 12,6 milhões. No seguro de animais, o avanço foi de 34,9%, de R$ 8,3 milhões para R$ 11,2 milhões.
Segundo Daniel Nascimento, vice-presidente da comissão de seguro rural da FenSeg, o crescimento do seguro pecuário é resultado de uma combinação de fatores econômicos, de gestão e climáticos, que estão mudando a forma como o produtor enxerga o risco no campo.
Nascimento desta que, nos últimos anos, a pecuária viveu um ciclo mais favorável, com valorização da arroba e exportações de carne em alta. “Quando o produtor está mais capitalizado, ele consegue olhar para o seguro não como despesa, mas como proteção de um patrimônio que vale muito”, comenta. Além disso, a volatilidade dos preços faz com que o criador de animais procure produtos que gerem garantia em caso de perdas.
Além disso, a profissionalização da pecuária brasileira, que está mais tecnificada, intensiva e integrada ao mercado internacional, também incentiva a busca por seguridade. “Em muitas propriedades, o rebanho tem alto valor genético e financeiro. Quando o nível de investimento sobe, cresce também a preocupação em proteger esse ativo”, comenta o dirigente da FenSeg.
O terceiro fator é o clima. Eventos extremos mais frequentes e mais intensos, como secas, excesso de chuva, e variações bruscas de temperatura, aumentam o risco da pecuária. “Em Estados como Minas Gerais, Goiás e Maranhão, onde a contratação já é mais forte, essa percepção ficou mais evidente. O produtor sente na prática que o risco aumentou e começa a agir antes da perda acontecer”, destaca.
Na distribuição regional, Minas Gerais lidera o ranking nacional, com R$ 26,5 milhões em prêmios totais, sendo R$ 25 milhões concentrados exclusivamente no seguro pecuário. São Paulo aparece na sequência, com R$ 24,6 milhões, e assume a liderança no seguro de animais, com R$ 10,2 milhões. Goiás (R$ 23,2 milhões), Maranhão (R$ 15,2 milhões) e Mato Grosso (R$ 15,1 milhões) completam o grupo dos cinco estados com maior volume de contratações.
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Segundo Nascimento, também houve amadurecimento do próprio mercado. Os produtos evoluíram, a informação circulou mais e as indenizações cresceram — mais de 46% entre 2021 e 2024. “Isso mostra que o seguro não fica só no papel; ele funciona quando é preciso. Quando o produtor vê que o vizinho recebeu indenização, a confiança aumenta”, comenta o dirigente.
Apesar do avanço do seguro pecuário, a adesão ainda é baixa entre os criadores brasileiros. Com o rebanho bovino brasileiro estimado em 238,2 milhões de cabeças, um valor patrimonial aproximado da ordem de R$ 600 bilhões, de acordo com a FenSeg,cobertura atinge apenas em torno de 3%.
“Trata-se de um volume expressivo ainda descoberto, o que evidencia tanto a dimensão do risco quanto a oportunidade de ampliar a proteção e a previsibilidade para a atividade pecuária no país”, afirma Nascimento.
Segundo o executivo, fatores culturais, econômicos e de conhecimento ajudam a explicar a baixa adesão. A cultura do seguro entre produtores rurais ainda é limitada, inclusive em modalidades mais consolidadas, como o seguro agrícola, que também cobre menos de 3% da área plantada no país, de acordo com levantamento recente da CNseg.
“Soma-se a isso o desconhecimento, por parte de muitos pecuaristas, sobre a existência e o funcionamento dos produtos voltados à proteção do rebanho”, detalha.
Para Nascimento, ampliar a cobertura do seguro pecuário e de animais exige avanço na disseminação de informação, maior integração do seguro à gestão de risco do produtor e o amadurecimento do mercado, de forma compatível com a relevância econômica e patrimonial da pecuária brasileira.






