
A vendas de soluções para agricultura da alemã Basf caíram 2,2% em 2025 e 3,8% no quarto trimestre do ano passado em comparação ao período correspondente de 2024, de acordo com comunicado sobre resultados financeiros da companhia divulgado nesta sexta-feira (27/02).
No último trimestre de 2025, a divisão agrícola da companhia registrou vendas de 2,437 bilhões de euros. Já em 2025, as vendas do segmento que abrange sementes, defensivos agrícolas e soluções digitais totalizaram 9,587 bilhões de euros, 16,1% das vendas totais da Basf no ano.
Em seu comunicado, a Basf explicou que a queda das vendas no ano se deu em virtude, principalmente, de efeitos “desfavoráveis” de câmbio. O volume vendido no período aumentou 3%, mas os preços recuaram 1,2%, de acordo com o relatório.
Das vendas em 2025, 23,7% vieram da região de negócios que compreende a América do Sul, África e Oriente Médio; 25,8% da Europa; 10,7% da Ásia e Pacífico; e a maior parcela, 39,8%, da América do Norte.
As vendas na América do Sul, África e Oriente Médio diminuíram em 83 milhões de euros, para 2,273 milhões de euros no ano passado. A redução na região pode ser atribuída a “efeitos cambiais negativos, especialmente em relação ao real do Brasil e ao peso argentino, bem como a preços mais baixos”, disse a Basf no documento, acrescentando que volumes maiores, especialmente de inseticidas, compensaram parcialmente a queda.
A Basf também reportou leve queda das vendas agrícolas na América do Norte, redução acentuada na Ásia e incremento leve na Europa.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da divisão agrícola caiu no último trimestre de 2025, 7,8%, para 339 milhões de euros. No ano, entretanto, a divisão conseguiu aumentar em 16,1% o Ebitda em relação a 2024, chegando a 1,925 bilhão de euros, de acordo com o comunicado.
O Ebitda antes de itens especiais aumentou 7,4% em 2025 na comparação anual, para 2,081 bilhão de euros, em virtude, principalmente, de uma melhor margem de contribuição com a redução dos custos de produção e ao lançamento no mercado do glufosinato de pamônio, disse a Basf no documento.
Já no quarto trimestre, o Ebida antes de itens especiais recuou 3,4% em comparação ao mesmo período de 2024, para 381 milhões de euros.
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IPO da divisão agrícola
No comunicado, a companhia destacou que vem buscando caminhos individuais para divisões de negócios independentes, que incluem o segmento agrícola. A Basf disse que planeja que o processo voltado ao IPO (oferta inicial de ações) do segmento esteja pronto em 2027, com a oferta de uma fatia minoritária das ações da empresa na Bolsa de Valores de Frankfurt.
“A separação legal (da divisão do Soluções Agrícolas do restante da companhia) e a implementação de um sistema ERP (de planejamento de recursos) específico do setor estão progredindo bem”, afirmou a Basf no comunicado de resultados.
A estratégia do segmento se concentrará no crescimento com lucro e de longo prazo em culturas selecionadas: soja, milho e algodão nas Américas; trigo, canola (colza) e girassol na América do Norte e na Europa; arroz na Ásia; e frutas e legumes em todo o mundo, conforme a companhia.
Consolidado
No consolidado, a Basf reportou receita de vendas de 14,032 bilhões de euros no quarto trimestre, 5,6% abaixo do contabilizado no mesmo intervalo de 2024. No ano de 2025, a companhia registrou receita de 59,657 bilhões de euros, queda de 2,9% em relação às vendas de 2024.
O Ebitda do quarto trimestre atingiu 1,019 bilhão de euros, 8,2% inferior ao apurado no período equivalente do ano anterior. Em 2025, o Ebitda consolidado alcançou 5,618 bilhões de euros, o que representa uma queda de 9,5% na comparação com o verificado em 2024.
Perspectivas 2026
A Basf divulgou sua visão para os diversos negócios da companhia neste ano.
Com relação à divisão agrícola, a empresa espera que a produção global cresça um pouco menos do que em 2025. Para a América do Sul, a perspectiva de uma desaceleração mais significativa do crescimento, após “fortes efeitos de recuperação no Brasil em 2025.”
Para o Ebitda antes de itens especiais consolidado, a empresa projeta resultado global de 6,2 bilhões a 7 bilhões de euros, em comparação a 6,554 bilhões em 2025. Para a divisão agrícola, é esperado Ebitda antes de itens especiais levemente menor que o do ano passado em decorrência de efeitos cambiais.
A perspectiva é de que um aumento de volumes vendidos e redução dos custos fixos sejam mais do que compensados por efeitos negativos de câmbio.






