
O bairro Benfica, em Fortaleza, se destaca pela mistura de intelectualidade e boemia, reunindo professores, estudantes, artistas, trabalhadores, moradores e visitantes que conferem ao local uma identidade única. Segundo o historiador Waldejares Oliveira, “quem vê ou vive toda essa diversidade, essa agitação, não imagina a tranquilidade que era a região lá no final do século XIX, quando existia apenas a chácara Benfica do português João do Amaral”. O bairro recebeu o nome em homenagem ao Benfica de Lisboa, e a construção de uma capela dedicada à Santa dos Remédios marcou o início do povoamento, transformando a antiga chácara em espaço coletivo.
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Ao longo do tempo, o bairro passou por transformações significativas. “Se vamos dar uma data de nascimento para o Benfica, seria o ano de 1879, quando essa capela começou a ser construída”, explica Waldejares Oliveira. Ao redor da capela surgiram casas de veraneio de famílias com alto poder aquisitivo, vindas principalmente da região da Jacarecanga, enquanto no início do século XX o bairro começou a se conectar com o restante da cidade com a chegada do bonde, ligando a Parangaba à Praça do Ferreira. O bonde, que passava onde hoje se encontra a Avenida da Universidade, foi desativado em 1947, cedendo espaço para os automóveis particulares.
Crescimento cultural e acadêmico
A chegada do empresário Gentil no início do século XX também transformou o bairro, construindo palacetes e ruas planejadas, como a Vila do Gentil, hoje conhecida como Gentilândia. “A Vila do Gentil começa a ser habitada, construída com padrão arquitetônico, e ainda conseguimos encontrar casas que remetem a essa época nas ruas do Benfica, como a Adolfo Webster e a Nosso Fora dos Remédios”, detalha Waldejares Oliveira. A fundação da Universidade Federal do Ceará, em 1954, consolidou o bairro como reduto da intelectualidade, com a presença massiva da comunidade acadêmica, que trouxe centros de humanidades, casas de cultura e o Museu de Arte da Universidade.
Além da vida acadêmica, o bairro se destaca pela convivência comunitária. A aposentada Osanir Albuquerque afirma: “É um bairro bom, a gente conversa na calçada, a vizinhança é muito amiga, é uma família. Todo dia eu, de manhã e de tarde, varro as calçadas”. Para Estefane Lessa, a relação afetiva com o bairro é ainda mais intensa: “Hoje eu defendi minha tese de doutorado. E, pra comemorar, eu escolhi Benfica, porque é o meu bairro de afeto. Eu gosto muito do Benfica”.
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Boemia e diversidade que marcam o bairro
A presença da residência universitária garante movimento jovem e alegria, criando um ambiente de diversidade e convivência cultural. Luís Alberto Linhares comenta: “A residência universitária traz jovens pra cá, então a gente tem alegria, tem diversidade”. O bairro também é conhecido pelos bares, restaurantes e festas, com opções gastronômicas que vão de torresmo e churrasco a gin-gin gourmet. A boemia, segundo os moradores, surge à noite, quando a atmosfera muda e as calçadas e bares se tornam o ponto de encontro da comunidade.
O bairro mantém uma forte relação com a memória e a identidade de quem frequenta ou mora no local. Fernanda de Castro resume: “Eu sou muito feliz no Benfica. É um bairro que realmente conquista o coração de todo mundo”. Entre história, cultura, boemia e afeto comunitário, o Benfica se consolidou como um dos bairros mais emblemáticos de Fortaleza, combinando tradição e modernidade em cada rua e praça.
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