O resultado trimestral da Kepler Weber, divulgado na noite de quarta-feira (25/2), não afeta as discussões que a empresa mantém com a Grain & Protein Technologies (GPT) e a GSI Brasil, de armazéns e silos, sobre uma potencial combinação de negócis entre as companhias.
A informação foi dada pelo diretor financeiro e de relações com investidores da Kepler, Renato Arroyo, durante teleconferência com analistas nesta quinta-feira (26/2). “Entregamos resultados muito consistentes e próximos do que o mercado esperava”, afirmou o executivo.

Bernardo Nogueira, CEO da Kepler Weber, acrescentou que a companhia continuou com foco na execução de suas operações, mesmo após receber a proposta da GPT. “Seguimos a vida normal”, disse.

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A Kepler está em fase de exclusividade na negociação com a GPT, cujo prazo se encerra nesta sexta-feira (27/2). Na avaliação do Citi, todas as atenções do mercado estão voltadas para o resultado de um possível acordo e este tem sido o principal fator de influência no preço das ações da empresa desde novembro de 2025.

Na época, a GPT, empresa americana dona da marca GSI, fez uma proposta não vinculante para Kepler Weber para uma combinação de negócios. O preço proposto pela GPT ficou em R$ 11 por ação.

Uma segunda alternativa combina a entrega de 0,4662 ações ordinárias de emissão da GPT Brasil com o pagamento em dinheiro de R$ 8,01 por ação.

Ao Valor, André Mazini, head de Equity Research do Citi para Latam, destaca que combinações de negócios, em geral, favorecem o vendedor de equipamentos e não são tão boas para o consumidor, uma vez que o mercado fica mais concentrado.

“O fato é que este setor (de armazenagem), mundialmente, está se consolidando”, disse o especialista. “Consolidar faz com que estas empresas tenham mais consistência para o longo prazo”, completou.

Isso porque as fabricantes de equipamentos de armazenagem estão sempre expostas ao desempenho do mercado agrícola, que é cíclico.

Cenário adverso
Depois da queda de 21,5% no lucro líquido de 2025, o CEO da Kepler Weber diz que a companhia está preparada para enfrentar um novo ciclo desafiador neste ano. “Vai ser um jogo duro e estamos prontos para ele”, afirmou.

Segundo o diretor financeiro, o cenário de 2026 tende a ser muito parecido com 2025 e há possibilidade de queda em torno de 1% para a margem. Nos investimentos, a expectativa é que o Capex consuma de 3% a 3,5% da receita líquida, patamar um pouco menor que o registrado no ano passado.

“Hoje a gente tem uma pressão de clientes com dificuldade de crédito. Vemos o PCA (Programa para Construção e Ampliação de Armazéns do Plano Safra) com recursos baixos, juros altos e a queda nos preços das commodities”, pontua Arroyo.

Apesar disso, Nogueira comenta que a Kepler já sabia que este ciclo adverso viria e se preparou para atravessá-lo.