A Biotrop, empresa de insumos biológicos controlada pelo grupo belga BioFirst, não conseguiu alcançar sua meta de faturar R$ 1 bilhão. Após lidar com um cenário macroeconômico adverso em 2025, a empresa aposta agora em novos produtos, inclusive no primeiro bioherbicida do mercado, para enfim quebrar essa barreira em 2026.
A estratégia da companhia brasileira para este ano inclui dez novos registros de bioinsumos, entre eles um bioherbicida considerado por Jonas Hipólito, presidente da Biotrop, como “transformador para o setor”.
Segundo Hipólito, o bioherbicida está na iminência de ser aprovado pelo Ministério da Agricultura, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
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Os lançamentos de 2026 serão a base para alavancar os negócios e o faturamento da empresa pelos próximos anos, de acordo com o executivo. “Temos tecnologias que permitirão aos biológicos atingir um patamar que nunca existiu, com saltos relevantes assim que essas inovações ganharem escala no mercado”, disse o executivo.
Em 2025, a Biotrop faturou R$ 900 milhões, um crescimento de 23% sobe os R$ 762 milhões registrados no ano anterior. Segundo Hipólito, o cenário macroeconômico adverso, marcado por crédito restrito e juros elevados, foi preponderante para o faturamento não ter alcançado o bilhão. Agora, a expectativa é bater essa marca e manter o crescimento anual na casa dos 20%.
A Biotrop também planeja aumentar seus investimentos no desenvolvimento de produtos. Em 2025, a companhia investiu R$ 90 milhões ( 15 milhões), e neste ano deve ampliar o orçamento para R$ 100 milhões. “Nossos investimentos vão se manter na linha do percentual de faturamento, expandindo com objetividade e qualidade”, afirmou.
Bioinsumos no Brasil
Sua aposta é que o Brasil continue capitaneando o mercado global de bioinsumos na produção agrícola. Apesar de já atuar em países da América Latina e Europa, a Biotrop vê o futuro dos seus negócios aqui. “O Brasil é o centro dos biológicos no mundo porque temos a questão regulatória muito favorável. O país se propôs a desenvolver tecnologia com facilidade de uso e preço similar à do químico”, disse.
O uso de bioinsumos na agricultura brasileira cresceu 15% na safra 2024/25, e historicamente o setor avança, em média, 22% ao ano, de acordo com dados da CropLife Brasil. O faturamento no mercado de bioinsumos no país somou R$ 4,5 bilhões em 2024, ainda bem inferior ao de agroquímicos, que faturou R$ 81,6 bilhões.
Hipólito lembrou que em 2025 houve a abertura de mercados para a Biotrop no Chile, México e Canadá, além de a empresa já atuar nos Estados Unidos e na Europa. A companhia também já tem registros em andamento na Austrália e em países da Ásia.