
As ações da Minerva recuaram mais de 6% na tarde desta terça-feira (24/2), reduzindo posteriormente as perdas para próximo de 4,4%, após a XP ter rebaixado sua recomendação para as ações da companhia, de compra para neutra. Perto do horário de fechamento, as ações da empresa estavam em R$ 5,39.
A perspectiva de que a China não habilitará novos frigoríficos para exportar carne bovina ao seu mercado até 2028 – período de vigência das cotas impostas pelo país no fim de 2025 -, conforme afirmação do assessor especial do Ministério da Agricultura, Carlos Augustin, na segunda-feira (23/2), também influenciou os papéis da Minerva, segundo o analista da Genial Investimentos, Igor Guedes.
Em relatório divulgado no fim da tarde de segunda-feira-feira, juntamente com a prévia de resultados do quarto trimestre de 2025 da Minerva, os analistas da XP, Leonardo Alencar e Pedro Fonseca, disseram que apesar de continuarem “construtivos” quanto à demanda por carne bovina em um momento de “persistente” escassez global, eles veem “assimetrias negativas crescentes e riscos de overhang” (pressão vendedora) que devem pressionar os resultados e limitar “catalisadores de re-rating” no curto prazo.
Entre os aspectos negativos, a XP destacou as recentes salvaguardas chinesas – cota de 1,1 milhão de toneladas a ser exportada pelo Brasil à China com tarifa de 12% e taxa de 55% sobre o que exceder a cota -, consumo no Brasil mais fraco que o esperado; iminente virada do ciclo do gado (com menor oferta) e incerteza sobre a magnitude das altas do boi; além de riscos negativos decorrentes do fortalecimento do real em relação ao dólar.
A XP, assim, revisou também o preço alvo das ações da Minerva para este ano para R$ 7,2 por ação, tomando por base o múltiplo estimado para 2026, em comparação ao valor alvo anterior, de R$ 8,4 por ação.
O banco também revisou para baixo suas estimativas de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) para 2026 e 2027 em 7% e 6%, respectivamente.
A perspectiva de que a China não fará novas habilitações de plantas para exportar ao país até 2028 também influenciou as ações da empresa. Segundo Guedes, da Genial, o negócio da Minerva é focado na carne bovina, diferentemente de JBS e MBRF, que possuem maior diversificação geográfica e de proteínas e têm exposição também ao ciclo do frango.
Guedes pontuou ainda que a maior parcela do volume de abate da companhia, principalmente após a consolidação dos ativos adquiridos da Marfrig, vem do Brasil. No terceiro trimestre de 2025, 17% da receita bruta da companhia veio da China, com as exportações do Brasil respondendo por 67,8% da receita bruta, de acordo com seu balanço de resultados.
“Acredito que os investidores inclusive estão até trocando exposições de papéis, quem estava mais exposto em Minerva está indo para as outras duas, JBS e MBRF. As (ações) das duas estão na contramão da tendência de Minerva”, disse Guedes.
Prévia do 4º trimestre
Para o último trimestre de 2025, a XP espera “resultados fracos”. A projeção é de que a Minerva terá um lucro líquido de R$ 188 milhões – um ano antes, a companhia havia registrado prejuízo líquido de R$ 1,567 bilhão. Para o Ebitda ajustado, a estimativa é de R$ 1,216 bilhão, aumento de 29% em relação ao período correspondente de 2024.






