
O excesso de chuva que atingiu Minas Gerais nas últimas horas, provocando deslizamentos de terra, desabamentos de casas e a morte de mais de 20 pessoas em Juiz de Fora e Ubá, além de deixar desaparecidos e desabrigados, não é um episódio isolado no Brasil.
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De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão indica que outras áreas também podem registrar volumes expressivos e superiores a 60 milímetros por hora ou acima de 100 milímetros por dia. Ao todo, mais de 600 municípios estão sob risco de “grande perigo” entre esta terça (24/2) e a sexta-feira (27/2).
A chuva intensa é resultado de uma combinação de fatores iniciada com a passagem de uma frente fria pelo litoral do Sudeste no último fim de semana, explica Guilherme Borges, meteorologista da FieldPRO.
O sistema, ao permanecer praticamente estacionado, passou a canalizar umidade da região central do país, favorecendo a formação de nuvens carregadas, como as cumulonimbus, e aumentando a instabilidade atmosférica.
“Não podemos dizer que se formou um canal de umidade clássico, mas é uma configuração bastante parecida e que deixa a atmosfera mais úmida. Nesta época do ano, com as temperaturas mais elevadas, isso favorece a formação de nuvens de chuva. Em resumo, a frente fria ficou parada, puxou umidade e concentrou as instabilidades, principalmente, sobre o Sudeste”, afirma.
O especialista completa, em entrevista à Globo Rural, que, embora o verão seja naturalmente o período mais chuvoso do ano no Brasil, a intensidade e a frequência das precipitações chamam a atenção neste momento.
“A atual estação, com certeza, traz muita chuva, com médias históricas bem elevadas pela combinação de calor e umidade, mas o que estamos vendo agora é uma configuração acima da média em boa parte do Centro-Oeste e do Sudeste. Isso acontece porque a atmosfera está muito úmida”.
Quando vai parar de chover?
A tendência é a manutenção do padrão não apenas para os próximos dias, mas também nas semanas seguintes, com possibilidade de se estender até o fim do verão, em 20 de março.
“Fevereiro vai seguir com essa mesma configuração. Entre terça e quarta-feira, uma nova frente fria avança pelo Sul e se desloca em direção ao Sudeste, canalizando ainda mais instabilidade. Esse sistema também deve influenciar áreas do Centro-Oeste e até parte do Nordeste, mantendo o cenário favorável para chuvas volumosas”.
A redução mais consistente da chuva deve ser observada apenas no outono, quando a atmosfera começa a mudar gradativamente com a aproximação do inverno, estação mais seca devido à menor disponibilidade de umidade.
Qual a previsão para o restante da semana?
Os maiores volumes de chuva estão previstos para a faixa centro-norte do Brasil, com destaque para Minas Gerais e Espírito Santo, onde o acumulado pode superar os 200 milímetros.
No primeiro Estado, as chuvas serão mais significativas a partir da quarta-feira (25/2), enquanto no segundo, o alerta se mantém entre a quarta (25/2) e a sexta (27/2). Veja abaixo onde pode chover muito nas demais regiões:
Norte
Em Rondônia, Acre e no sul do Amazonas e do Tocantins, a atuação da frente fria associada ao transporte de umidade mantém o cenário de instabilidade. Entre o sul e o leste do Pará, os acumulados podem superar 100 milímetros.
Nordeste
Os maiores volumes, com previsão de até 150 milímetros, devem ocorrer em áreas do Piauí, Pernambuco e Bahia ao longo da semana.
Centro-Oeste
Goiás e o leste do Mato Grosso podem registrar acumulados acima de 80 milímetros, com picos de 200 milímetros em sete dias.
Sul
O oeste do Rio Grande do Sul, com cerca de 40 milímetros entre terça (24/2) e quarta-feira (25/2), será a área de destaque.





