Bairro Passaré cresceu e hoje é referência em meio ambiente e conhecimento em Fortaleza

Um dos bairros mais tradicionais de Fortaleza, o Passaré nasceu como caminho e se transformou em território marcado pelo equilíbrio entre desenvolvimento urbano e preservação ambiental. Por décadas, a área foi composta por sítios, chácaras e extensas áreas de vegetação preservada. Quando a capital ainda dava os primeiros passos para além do Centro, era por ali que se encurtava a distância entre Messejana e Parangaba.

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Origem

O nome tem origem no tupi e significa “lagoa do atalho”. No início do século XIX, a região integrava a sesmaria da Lagoa do Passaré, concedida em 1810. A configuração histórica ajuda a explicar a formação do bairro. Segundo o professor de História Diogo Assunção, “O passaré é, assim como vários outros bairros, uma consequência direta do sistema de sesmarias. Sesmarias era um sistema no qual, na época, o governo português disponibilizava terras para um benfeitor cultivar, preservar, desenvolver, povoar, dentre outras. Então nasceria ali um grande sítio, que ficava situado entre duas vilas, que era a vila de Parangaba e a vila de Messejana, e que era o encurtamento da distância padrão entre essas duas vilas.”

Fortaleza cresceu ao redor, e o Passaré acompanhou esse movimento sem romper totalmente com as origens rurais. A urbanização ganhou força a partir da segunda metade do século XX. Nos anos 1960, duas grandes áreas foram desapropriadas para a criação do Zoológico Sargento Prata e do Horto Municipal. Hoje, esses espaços formam o Parque Zoobotânico de Fortaleza, um dos maiores conjuntos ambientais da capital.

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De acordo com Diogo Assunção, o zoológico trouxe também outros tipos de investimento para o bairro, como o horto e a pavimentação verde. “É uma área que tem, por exemplo, na década de 70 e de 80, muitos campos de futebol, muitas vacarias, nascendo, por exemplo, sistemas como Habitafor”.

Bairro Passaré passou por transformações em Fortaleza, mantendo áreas verdes

A Lagoa do Passaré, que dá nome ao bairro, integra a bacia do Rio Cocó. Considerada uma das mais limpas da cidade, é alimentada por diversos córregos e reforça a identidade ambiental da região.

Com o tempo, o Passaré deixou de ser apenas passagem. Tornou-se endereço predominantemente residencial, com forte presença institucional, ambiental e econômica. Desde 1984, abriga a sede geral do Banco do Nordeste, um dos principais bancos de desenvolvimento do país. O espaço reúne decisões que impactam toda a região e uma extensa área verde com jardins projetados por Roberto Burle Marx, referência mundial no paisagismo.

A presença do banco alterou a dinâmica do bairro e a rotina de quem trabalha na região. A auditora Gilmara Inácio Vieira, que veio de Pernambuco há mais de 20 anos, conta que inicialmente morou na Aldeota, mas decidiu se mudar para o Passaré:

“Eram dois fatores que tomavam muito meu tempo, que era a questão do tráfego, né? Do trânsito, a uma distância de quase 10 quilômetros, então a mudança já me trouxe um alento, né? E também a praticidade de você ter uma creche-escola dentro do Banco, onde a minha filha estudava. Então eu vivenciei esses dois benefícios imediatamente. Então a minha adaptação foi fluida. A gente vive como se fosse numa mini-cidade. O próprio bairro oferece tudo isso. Opções de lazer, de entretenimento, shoppings próximos, acesso à saúde, educação, verde. Você até respira melhor por aqui, né?”

O gerente executivo Rodrigo Ribeiro também optou por morar no bairro pouco tempo depois de começar a trabalhar no banco. “A decisão de vir morar no Passaré, além de estar próximo ao trabalho, é que a gente queria morar numa casa. Achou uma oportunidade aqui de negócio, compramos essa casa e fui morar muito perto do trabalho. Então ficou muito cômodo, né? Pra gente, pra minha família.”

Conhecimento: universidade e vida de estudantes no bairro Passaré

O desenvolvimento do Passaré também passa pelo conhecimento, em Fortaleza. A região abriga o campus Itaperi da Universidade Estadual do Ceará (Uece), além do recém-inaugurado Hospital Universitário. A presença da universidade movimenta o comércio, atrai estudantes de todo o Ceará e até de outros estados e redefine o entorno.

O vice-reitor da instituição, Dárcio Teixeira, destaca o impacto econômico. “Circula por dia mais ou menos 25 mil pessoas dentro do campus do Itaperi. Isso é muito importante para a economia, porque isso gera emprego de copiadoras, alimentação, que dialoga diretamente com o bairro. Até moradia próxima. Vêm estudantes de fora de Fortaleza para estudar aqui e acabam alugando kitnets ou casas comunitárias de estudantes para poder ficar próximo ao campus do Itaperi.”

Ao longo da avenida Silas Munguba, o fluxo intenso de veículos acompanha um comércio diversificado que atende moradores e quem passa pelo bairro. Mesmo com o crescimento, o Passaré preserva uma identidade própria. O equilíbrio entre desenvolvimento e áreas verdes ajuda a explicar por que a região é cada vez mais procurada.

Como pontua o professor Diogo Assunção, ainda há muitas áreas verdes no bairro. “Uma curiosidade sobre os loteamentos é que, no momento que eles iam acontecendo pelas desapropriações do sítio geral, essas desapropriações geravam novos e novos loteamentos para terem novos e novos povoamentos. E quase sempre o nome Passaré era mantido. Foi sendo justamente povoado, baseado tanto em desapropriação quanto em crescimento econômico e social.”

O Passaré nasceu como atalho, virou território e consolidou-se como bairro em Fortaleza. Entre lagoas, árvores, trabalho e conhecimento, mostra que a cidade pode crescer sem perder o que a faz respirar.

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