A indústria de café solúvel comemorou o anúncio do governo americano de uma tarifa global de 15% que, se for mantida, substitui a taxa de 50% que estava em vigor sobre este produto do Brasil. O diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), Aguinaldo Lima, ressalta, porém, que há necessidade de acordos comerciais para dar suporte a este mercado.
“A situação estava ficando pior a cada mês nas vendas com aquele que é o maior cliente de café solúvel do Brasil. Agora, a gente entra em um novo patamar, seja de 10% ou 15% a tarifa, mas que coloca todos os fornecedores em circunstâncias iguais”, disse o executivo.
Em agosto do ano passado, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou tarifas contra diversos produtos brasileiros. Parte delas foi derrubada posteriormente, mas itens como o café solúvel continuaram taxados desde então.
No acumulado de 2025, os norte-americanos permaneceram como o principal destino das exportações do setor e adquiriram o equivalente a 558.740 sacas, mas houve queda de 28,2% em relação ao ano anterior, segundo dados da Abics.
“No período da aplicação dessa tarifação de 50%, entre agosto e dezembro, a redução foi ainda mais drástica: 40% ante o mesmo período do ano anterior. Isso evidencia o impacto direto e imediato da barreira comercial na competitividade do café solúvel nacional”, lembrou Lima.
A notícia da taxa de 15%, anunciada no sábado (21/2), ainda exige cautela, mas é “extremamente positiva”, na visão da Abics, pois dá chance para que os exportadores brasileiros tentem recuperar os compradores que foram perdidos no ano passado.
Ao todo, o setor embarcou 3,688 milhões de sacas de 60 kg ao exterior no ano passado, queda de 10,6% na comparação com 2024.
De acordo com o diretor, o Brasil sempre foi o país mais competitivo do mundo no segmento de café solúvel e agora está sendo ameaçado pelo Vietnã, que provavelmente deve ultrapassar em nível de produção e exportação esse ano, por ter acordos comerciais que o Brasil não tem.
“O Vietnã tem usado muitos os acordos, principalmente na Ásia, onde mais cresce o solúvel”, afirmou. “Também temos que procurar sempre solicitar que o governo brasileiro continue negociando, tendo acordos harmoniosos com os EUA, para não prejudicar nosso comércio”, acrescentou.