
A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de elevar de 10% para 15% a tarifa global para importação de produtos reflete o cenário de instabilidade no mercado americano, mas favorece exportadores do Brasil que lidavam com taxas ainda maiores desde o ano passado. É o caso do setor de pescados, que comemora a nova medida e vê ganho de competitividade.
A tarifa de 15% foi anunciada no sábado (21/2), prevista para durar por 150 dias, e veio após a maioria dos ministros da Suprema da Corte dos EUA decidir que a legislação americana não permite ao presidente criar tarifas sem autorização clara do Congresso.
Ainda na sexta-feira (20/2), quando foi divulgada a decisão da Suprema Corte, Trump anunciou uma tarifa global de 10% e adicionou mais cinco pontos percentuais a ela no dia seguinte.
Os exportadores de pescados acompanham de perto essas movimentações, uma vez que a tilápia brasileira tem os Estados Unidos como destino de mais de 90% de seus embarques.
“O setor de pescados passou por uma situação muito difícil em 2025, pois foi, das proteínas que o Brasil exporta para os Estados Unidos, a única que não teve redução de tarifa para zero”, disse à Globo Rural o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), Eduardo Lobo.
O dirigente se referiu à rodada de tarifas americanas contra produtos brasileiros que entraram em vigor em agosto de 2025. A carne bovina, que chegou a ser taxada com 55% na época, teve esta taxa zerada posteriormente.
“Nós (pescados) ficamos taxados em 50%, ficando totalmente fora de competitividade. Se a gente conseguir reduzir de 50% para os 15%, que é o que o presidente americano anunciou ontem, ainda acho que foi uma conquista”, afirmou Lobo.
Segundo ele, uma tarifa de 15% permitiria ao setor voltar a ser competitivo e a exportar um volume maior de peixes ao mercado americano. “Não é o ideal, mas é muito melhor”, enfatizou.
A Abipesca acredita que o momento é de cautela, visto que as condições ainda podem mudar, mas também de otimismo. “De fato, tudo que vier para melhorar e a redução que houver é sempre muito bem-vinda e o setor tá otimista”, completou Lobo.
Em 2025, as exportações brasileiras de pescados somaram 75,5 mil toneladas, com faturamento de US$ 403,3 milhões. O mercado americano foi o destino de mais de 37% desse volume. Mesmo assim, houve queda nos negócios em relação a 2024, decorrente do tarifaço. As vendas do setor para os EUA caíram quase 7% para 28,1 mil toneladas, com receita 15,7% menor, de US$ 191,1 milhões.






