
Não há como não ficar impressionado com as galhadas que crescem no topo da cabeça dos cervos. Elas são de particular imponência quando formam um arco grande, com muitas pontas, em direção ao céu, o que fortalece ainda mais a imagem desse animal exótico, bastante cobiçado quando se busca uma opção para ornamentar propriedades no campo.
Com sua beleza selvagem, o cervídeo integra ainda mais a natureza à rotina de lugares como hotéis, pousadas campestres, estabelecimentos de turismo rural, parques ecológicos e fazendas particulares.
Para o cervo, a principal função do chifre é servir de instrumento de combate, para o animal defender seu território e disputar a preferência das fêmeas. A galhada, que só se desenvolve no cervo macho, tem valor comercial específico.
O animal descarta o chifre todos os anos, quando ocorre a renovação. Nessas ocasiões, é possível reaproveitar o chifre, usando-o como matéria-prima para adornos decorativos para ambientes diversos ou componente para a montagem de peças de artesanato e utensílios – um estiloso cabo de faca, por exemplo.
Outra opção de a atividade gerar renda ao produtor é a comercialização de exemplares para a composição de rebanho de matrizes e reprodutores para novos criadores, desde que os produtores tenham área livre no local.
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O animal é ativo e gosta de pastar, e é justamente por causa disso que é importante que ele viva em um espaço aberto e com solo coberto por gramíneas. Uma alternativa barata é a implantação de um piquete cercado, que ajudará a evitar a fuga do animal e os ataques de predadores.
É importante destacar, contudo, que é essencial contratar um técnico para a elaboração do projeto do criatório, que deve seguir a regulamentação vigente. Como o cervo é um animal silvestre, só se pode criá-lo com aval de um órgão do meio ambiente estadual responsável pela gestão da fauna, e a autorização sai apenas para produtores que têm instalações adequadas para a finalidade.
Também é necessário prever gastos com vermífugos e cuidados veterinários periódicos, já que, mesmo robusto e resistente, o cervo pode sofrer com doenças. O animal tem expectativa de vida de 20 anos e, adaptado ao diversificado clima brasileiro, pode atingir essa idade em qualquer região do país. No manejo, é necessário, além disso, dedicar atenção às fases de recria e engorda, que ocorre à base de forragens e ração para bovinos – o cervídeo é um ruminante.
O consumo da carne de cervo e o uso da pele do animal para produzir vestuário ainda não deslancharam no Brasil, mas sugerem um comércio em potencial – o aproveitamento está bem desenvolvido em países como Argentina, Estados Unidos e Canadá.
Com textura suave e baixo teor de gordura, os cortes alcançam preços altos, assim como o couro, que pode ser usado na composição de vestimentas e acessórios de moda, como bolsas, sapatos e cintos.
Início
Das três espécies de cervos disponíveis para criação no país, todas são exóticas e de linhagens oriundas da Europa e Ásia. Como são silvestres, qualquer uma delas só pode viver em cativeiro se o criador obtiver licença para a atividade. Assim, é preciso aprovar a documentação antes de dar início ao empreendimento.
Ambiente
Para viver sob as altas temperaturas das regiões Centro-Oeste e Nordeste, a espécie mais indicada é a sâmbar (Cervus unicolor), que pesa de 60 a 80 quilos e cujos machos têm chifres longos. As condições climáticas dos estados do Centro-Sul são mais adequadas para o manejo das espécies dama (Dama dama) – que tem pelo marrom-claro, pintas brancas nas costas, hábito gregário e pesa de 40 a 80 quilos – e nobre (Cervus elaphus), que também é conhecida como cervo vermelho; os machos da espécie pesam entre 100 e 250 quilos, e as fêmeas, de 70 a 120 quilos.
Piquete
Tanto no Sul quanto na Região Norte do país, o criatório deve ter espaço ao ar livre de, pelo menos, meio hectare para um terno ou casal de cervos, cercado de tela tipo alambrado ou fios de arame com altura mínima de 2 metros e com solo apropriado para pastagem.
Também é necessário ter árvores no local – os cervos buscam as sombras das copas para seus momentos de descanso e para escapar do sol quente. Também é importante dar acesso a uma área aguada para assegurar o conforto térmico e o bem-estar do animal.
Brete
Usado para o manejo, o brete deve ser construído dentro do piquete e em área de terra batida ou piso concretado com as medidas de 12 x 6 metros. Utilize réguas de madeira, que podem ser até sobras disponíveis na propriedade, ou alvenaria, uma opção mais cara. Instale bebedouro e cocho na área interna do abrigo. O uso de baias individuais é uma opção e funciona bem quando é preciso isolar a fêmea alguns dias antes do parto ou em caso de tratamento.
Alimentação
Por serem herbívoros e ruminantes, os cervos gostam de pastar diversos tipos de gramíneas, de capim, brotos e ervas a variadas forrageiras, além de feno, leguminosas, silagem de milho ou sorgo e plantas arbustivas. Para complementar as refeições, forneça, além disso, ração para bovinos, que pode ser encontrada facilmente em lojas de produtos agropecuários. Entre as frutas, os animais gostam particularmente de banana e mamão. Já o sal mineral deve ficar disponível e com acesso fácil.
Reprodução
Somente após dois anos de vida, tanto para machos quanto para fêmeas. Embora concentre-se entre o fim de março e o começo de junho, durante o outono, o acasalamento dos cervos pode ocorrer ao longo de todo o ano. No caso das espécies dama e nobre, o ciclo anual de renovação dos chifres é também um período de intensificação da monta. A gestação dura oito meses, e nasce um filhote por ano.
Criação Mínima: um terno ou um casal;
Custo: o gasto médio com as instalações é de R$ 38.000, e cada cervo custa R$ 12.500;
Retorno: a partir de três anos;
Reprodução: após dois anos de idade, com geração de um filhote por ano.
Consultoria: Fabio Hosken é zootecnista, doutor em produção animal e consultor para criação e manejo de animais silvestres, tel. (31) 98417-4312, fabio@zooassessoria.com.br, @manejodefaunasilvestre






