A Kepler Weber anunciou hoje (18/2) mais uma prorrogação no prazo de exclusividade para negociação de uma potencial combinação de negócios com a Grain & Protein Technologies (GPT) e sua controlada GSI Brasil, de armazém e silos. O prazo, que estava previsto para se encerrar no último domingo (15/2), foi estendido até o dia 27 de fevereiro.
Em dezembro do ano passado, a companhia já havia anunciado uma extensão de 30 dias para ampliar as negociações.
O novo prazo agora coloca o fim da janela de exclusividade para depois da divulgação dos resultados da Kepler sobre o quarto trimestre de 2025 e o consolidado do ano, agendada para 25 de fevereiro.
Embora ainda não haja certeza sobre o acordo final, o Citi destacou em relatório que a extensão das negociações da Kepler é um sinal construtivo para a transação.
“Em nossa visão, a decisão de estender o período de exclusividade sugere que as negociações estão avançando, já que ambos os lados optaram por continuar as discussões em vez de deixar o acordo expirar”, disse André Mazini, analista do Citi.
Em novembro, a GPT, empresa americana dona da marca GSI, fez uma proposta não vinculante para Kepler Weber para uma combinação de negócios. À época, o preço proposto pela GPT ficou em R$ 11 por ação.
Uma segunda alternativa combina a entrega de 0,4662 ações ordinárias de emissão da GPT Brasil com o pagamento em dinheiro de R$ 8,01 por ação.
A proposta apresentada pela GPT envolve uma estrutura que inclui a incorporação da totalidade das ações ordinárias da Kepler Weber por uma sociedade controlada pela GPT Brasil, denominada MergerSub.
Caso a transação venha a ser implementada conforme a estrutura proposta e seja aprovada pelos acionistas, a Kepler Weber se tornaria uma subsidiária integral da MergerSub e deixaria o segmento Novo Mercado da B3.
Se vier a conclusão da operação, o registro da Kepler Weber como companhia aberta junto à CVM poderá ser convertido para a categoria B ou cancelado, a critério da GPT.
Os acionistas minoritários chegaram a pedir que o Conselho Fiscal examinasse pontos relacionados à governança corporativa, preço justo e potenciais conflitos de interesse envolvendo a GPT e a Kepler.
Risco setorial
O especialista do Citi ressaltou que o preço-alvo definido pelo banco para as ações da Kepler em 2026 é de R$ 10 por ação. A companhia de armazenagem está classificada como “alto risco” pelo banco, considerando que vende equipamentos para o setor agrícola, segmento que deve enfrentar diversas volatilidades neste ano.
Os principais fatores de risco são o andamento da safra, os preços dos grãos, os valores do aço utilizados como matéria-prima dos armazéns, a liquidez do mercado e o nível de recursos que serão disponibilizados aos produtores rurais para tomada de crédito pelo Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) do Plano Safra.
“Se o impacto de qualquer um desses fatores na empresa for mais negativo do que esperamos, a ação provavelmente terá dificuldades para atingir nossas metas financeiras e de preço. Da mesma forma, se algum desses fatores tiver menos impacto do que esperamos, a ação pode superar significativamente nosso alvo”, afirmou Mazini.