O setor segurador ainda não conhece a fundo a proposta do novo seguro rural e quer uma reunião com o Ministério da Agricultura para apresentar sugestões. As seguradoras buscam garantia de estabilidade na política para dar um salto de mobilização de capital de risco no país de cerca de dez vezes, para mais de R$ 200 bilhões, valor necessário no modelo pretendido.
A Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg) apoia uma revisão do seguro rural no país, ante o encolhimento do programa por falta de orçamento nos últimos anos. A entidade considera o modelo paramétrico interessante, mas diz que a proposta precisa ser bem estruturada para dar certo.
Um dos alertas é que o “risco de base” do seguro paramétrico é alto, pois pode haver imprecisões nos parâmetros medidos por satélites em áreas menores. Gláucio Toyama, presidente da Comissão de Seguro Rural da Fenseg, disse que a proposta não está clara. Há dúvidas se o produto virá pronto ou se caberá a cada seguradora definir gatilhos de acionamento de sinistro, preços e outros detalhes.
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Há preocupação se os produtores e os bancos estarão dispostos a adotar o novo formato, com a obrigatoriedade de contratação em financiamentos com recursos controlados. Existe receio sobre como será feita a venda de um produto obrigatório, mas ainda pouco conhecido. Toyama disse que há complexidade para ajustar os parâmetros de apólices de seguro paramétrico até mesmo com grandes empresas. “Vender a varejo é mais complicado”, afirmou.
Também não está claro como será a “virada de chave” do modelo em termos operacionais e orçamentários. O executivo discorda de afirmações de assessores do ministro Carlos Fávaro de que o modelo atual está “falido”, e defende maior previsibilidade ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
“Houve uma desidratação de subvenção nos últimos três anos, por isso a área segurada caiu”, disse. As seguradoras já informaram que eventuais mudanças no PSR demandam de seis meses a um ano de transição e defenderam um projeto-piloto para testar o modelo.
A proposta atual geraria um salto repentino dos valores segurados no setor, de R$ 20 bilhões para mais de R$ 200 bilhões apenas com o seguro paramétrico obrigatório. Toyama alertou para a necessidade de garantia e estabilidade na política para alocação desses recursos no Brasil casados com o apetite e a capacidade financeira das resseguradoras para isso.
Como o modelo paramétrico tem características de um seguro “catastrófico”, com cobertura apenas para falta ou excesso de chuva, Toyama disse que a proteção complementar voluntária será necessária para boa parte dos produtores cuja maior preocupação é com a frequência de eventos climáticos e o efeito sobre a produção.
“Para o produtor que tem problema de fluxo de caixa, a recorrência é mais importante, ele precisa de seguro que cubra a frequência, como seca, excesso de chuva, granizo, geada, vento forte, incêndio, entre outros”, disse.
Para a cobertura adicional, a demanda por capital de risco e subvenção cresceria em mais dezenas de bilhões de orçamento. “Pode ser que o mercado de seguros não tenha mais esse capital de risco para garantir o mercado brasileiro nessa primeira etapa”, disse.