
Um projeto de pesquisa avalia o uso das fibras de cânhamo como reforço na produção de diferentes tipos de papel, com ênfase em papéis reciclados. O estudo é da Unidade Embrapii do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em parceria com a startup Buds INC.
A fibra de celulose do papel convencional possui um número finito de ciclos de reciclagem e a cada novo reaproveitamento, as fibras se tornam mais curtas e frágeis, resultando em perda de resistência mecânica do papel.
A adição controlada de fibras de cânhamo à polpa reciclada, segundo a pesquisa, permite recuperar a resistência original do papel e, em alguns casos, alcançar propriedades mecânicas superiores àquelas do material inicial, ampliando significativamente sua vida útil e desempenho.
O pesquisador da Unidade e coordenador do projeto, Marcelo Novo, explica que a ideia é processar a biomassa da cannabis integralmente. “A planta tem fibras de dupla aptidão: fibra longa na casca e fibra curta no lenho da planta. Essas características resultam em um papel reciclado de qualidade superior ao convencional, que usa somente fibras de celulose”, detalha.
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O projeto encontra-se na fase final de consolidação dos resultados mecânicos dos papéis produzidos com diferentes teores de fibras de cânhamo. Marcelo Novo destaca o grande potencial dessa inovação para o Brasil, um dos maiores produtores mundiais de papel e papelão reciclado.
“Além de ganhos técnicos e econômicos, o uso de fibras de cânhamo como reforço representa um avanço importante do ponto de vista da sustentabilidade, ao aumentar a eficiência da reciclagem e reduzir a pressão sobre matérias-primas florestais tradicionais”, pontua.
Mercado promissor
Recentemente, a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou novas regras para a produção de cannabis medicinal, que estabelece normas específicas para cultivo, fabricação e comercialização de produtos derivados da planta no Brasil. “A regulamentação abrange a indústria, a produção comercial e a produção de associações. Praticamente tudo que eles determinaram a gente já faz: barreira física, controle de acesso, câmeras, rastreabilidade e destinação do produto final”, celebra Baesso.
A produção de medicamentos à base de cannabis gera grande volume de resíduos, pois somente as flores são aproveitadas. “O projeto garante que, após a colheita da flor, 100% do que sobra da planta, e que antes seria descartado, vire inovação tecnológica e riqueza para o país”, avalia o empresário.






