
O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) encerrou o terceiro trimestre da safra 2025/26 com ganhos no lucro e na receita, sustentados pelo aumento da adoção de suas variedades mais recentes pelos produtores no país. O sucesso da estratégia está impulsionando a companhia a realizar novos lançamentos no mercado.
A companhia registrou uma alta de 19,5% em seu lucro líquido no trimestre, na comparação anual, para R$ 59,5 milhões. O resultado é fruto direto do crescimento de 6,9% em sua receita líquida, para R$ 121,8 milhões, e da ampliação ainda maior do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), que subiu 5,3%, a R$ 61,1 milhões.
Em nove meses, o lucro líquido do CTC já superou o lucro de toda a safra passada (2024/25) e já alcançou R$ 176,5 milhões, um recorde.
Os royalties representam quase toda a fonte de receita da companhia, logo, quando maior a base de clientes, mais royalties o CTC recebe. “A receita de hoje reflete o market share do ano do plantio do ano passado”, explicou Paulo Polezi, diretor financeiro da companhia. Na safra passada, o CTC teve uma participação de 27% sobre toda a área plantada com variedades protegidas no Brasil. No terceiro trimestre desta safra, essa fatia já foi de 31%.
Além de estar atrelada à base de clientes, a renda do CTC também cresce conforme os ganhos de produtividade dos produtores. No último trimestre, 80% das áreas plantadas com variedades do CTC foram feitas com tecnologias mais recentes, lançadas a partir de 2020. Houve 186 novos usuários de CTC Advana 1, lançada no ano passado e que promete uma produção de açúcar até 1 tonelada a mais por hectare em comparação com a média das variedades do mercado.
Para intensificar a estratégia de ter sempre novas variedades e mais clientes, o CTC iniciou o ano lançando quatro novas variedades convencionais de cana, sendo duas voltadas para o Centro-Sul e duas para o Nordeste.
Segundo Polezi, fazia tempo que o CTC não lançava uma variedade específica para as condições de solo e clima do Nordeste, e agora o plano é realizar lançamentos mais frequentes para essa região. Atualmente, a participação de mercado do CTC no Nordeste é bem inferior à do Centro-Sul, com uma taxa de “um dígito baixo”, disse.
O CTC também submeteu, no último dia 29 de janeiro, à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) sua nova geração de variedades de cana transgênica, a VerdPro 2, na qual vem trabalhando há sete anos. A variedade combina resistência ao bicudo, praga que provoca prejuízos anuais de R$ 6 bilhões ao setor, e resistência ao glifosato.
Alguns clientes já vêm replicando a variedade em seus viveiros para testes. A expectativa da companhia é que a aprovação da CTNBio ocorra em até 12 meses, podendo ser lançada ao mercado ainda na nova temporada (2026/27).
“A receita de hoje reflete o market share do ano do plantio do ano passado”
Em paralelo, o CTC já está concluindo a construção de sua planta demonstrativa de sementes sintéticas de cana. Com o laboratório 90% concluído e os pátios de rustificação (áreas dentro de viveiros para aclimatação) já concluídos, a empresa espera realizar na próxima safra um plantio experimental de 120 hectares com suas sementes, em uma primeira etapa de 20 hectares e uma segunda de 100 hectares. Serão adotadas quatro variedades distintas nesse primeiro plantio.
Segundo Polezi, as máquinas de plantio desenvolvidas pela John Deere e Marchesan já permitem a realização de todo o procedimento, desde o carregamento das sementes até o plantio no solo. Elas já começarão a operar com plantio em duas linhas — diferentemente de quase todas as plantadoras de cana do mercado hoje, que plantam os toletes de cana uma linha por vez.






