O etanol hidratado (que compete com a gasolina nas bombas) deve ficar mais competitivo do que o combustível de origem fóssil na próxima safra (2026/27) e provocar um aumento do consumo, segundo projeções divulgadas nesta terça-feira (10/2) pela consultoria Datagro. Este cenário deve refletir um aumento de produção de etanol tanto a partir de cana-de-açúcar como a partir do milho.
Nos cálculos da consultoria, os preços do etanol hidratado em Paulínia deverão sair do atual patamar de R$ 3,16 o litro (sem impostos) neste mês de fevereiro para R$ 2,52 o litro em maio. A projeção é de que o biocombustível seja negociado próximo a este patamar ao longo de todo o período de moagem de cana, girando em torno da marca de R$ 2,50 o litro até novembro.
Nestes preços, o etanol deve ser vendido nos postos do Estado de São Paulo na média da próxima safra a um preço médio equivalente a 64,9% do valor da gasolina, segundo estimativa da Datagro. A correlação é bastante favorável ao etanol, já que o nível de paridade de preços em que os dois combustíveis oferecem o mesmo rendimento para a média da frota flex é próxima de 71% a 72% — considerando mistura de 30% de anidro na gasolina —, segundo a indústria automobilística.
Na safra atual, em que o consumo de etanol já está aquecido, a correlação média está maior, e deve encerrar a temporada em 68%, segundo a Datagro. A última vez em que a correlação de preços esteve tão favorável ao etanol ocorreu na safra 2023/24, quando a produção de etanol foi recorde por causa de uma moagem de cana-de-açúcar também recorde, de 654 milhões de toneladas.
Para a Datagro, essa correlação mais favorável ao etanol hidratado deve permitir que o biocombustível ocupe mais de 30% de participação no mercado de combustíveis de veículos leves (ciclo Otto), como na safra atual.