O movimento de retração nos preços internacionais do café em janeiro, em meio às notícias de bom desenvolvimento da safra brasileira 2026/27, desaqueceram as exportações do grão, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). No mês, o país embarcou 2,78 milhões de sacas de 60 quilos, volume 30,8% inferior ao volume exportado em janeiro do ano passado.
Em receita, a queda foi de 11,7%, somando US$ 1,175 bilhão. “Vivemos um cenário de produtores capitalizados em função dos bons preços nos últimos anos, estoques de arábica limitados no período de entressafra e os cafés conilon e robusta sendo utilizados para suprir, majoritariamente, o mercado interno”, afirmou Márcio Ferreira, presidente do Cecafé.
“Esse contexto é o que vem ocasionando a redução acentuada nos volumes negociados com o exterior e deve permanecer até a entrada da próxima safra”, completou.
Segundo o Cecafé, à medida que se aproxima a nova safra de café arábica, a partir de maio, há possibilidade de recuperação das exportações, com o Brasil se alinhando aos principais concorrentes. Até lá, os volumes de exportação devem seguir apertados, dada a falta de competitividade, principalmente dos arábicas em relação aos países concorrentes.
No acumulado da safra, de julho de 2025 a janeiro de 2026, as exportações brasileiras de café totalizam 23,406 milhões de sacas, com queda de 22,5% em relação ao mesmo intervalo da safra 2024/25. Em valor, houve incremento de 8,1%, para US$ 9,235 bilhões.
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Embarques por variedade
Em janeiro, os embarques de café arábica somaram 2,347 milhões de sacas, queda de 29,1% em relação a janeiro de 2025. O volume equivaleu a 84,4% do total embarcado.
As exportações de café solúvel totalizaram 249,148 sacas, com queda de 32%. O volume representou 9% dos embarques de café brasileiros.
Os embarques de cafés canéforas (conilon e robusta) recuaram 45,6% em janeiro, para 181.559 sacas, o que representou 6,5% do total das exportações.
As vendas externas de café torrado e moído recuaram 53,8% no período, para 2.317 sacas, o que representa 0,1% do total.
De acordo com o Cecafé, as exportações de cafés especiais responderam por 21,2% do volume total, somando 588.259 sacas. Esse volume é 41,9% inferior ao registrado em janeiro do ano passado.
A receita com esses cafés atingiu US$ 272,7 milhões, que equivalem a 23,2% do total das exportações. Em relação a janeiro de 2025, houve queda de 30,6%. O preço médio do café especial vendido foi de US$ 463,53 por saca.
A Alemanha foi o maior comprador do café especial brasileiro, com 78.352 sacas. Em seguida estão Estados Unidos, com 70.048 sacas; Itália, com 68.978 sacas; Bélgica, com 63.072 sacas; e Holanda, com 58.265 sacas.
Em relação aos envios, o Porto de Santos foi a principal porta de saída dos cafés do Brasil ao exterior em janeiro, com o embarque de 2,252 milhões de sacas, representando 81% do total. Na sequência, aparecem o complexo portuário do Rio de Janeiro, com 15,7% das exportações (435.958 sacas), e o Porto de Paranaguá, com 1,1% dos embarques (31.244 sacas).