A São Martinho registrou um salto de 168,5% em seu lucro líquido no terceiro trimestre da safra 2025/26, em decorrência de um ganho tributário sem efeito caixa. O reconhecimento de créditos de subvenções foi de R$ 331,1 milhões, e contribuiu para o resultado líquido contábil alcançar R$ 424,1 milhões. Já o lucro caixa, que refletiu o resultado operacional da companhia, ficou estável na comparação anual, em R$ 187,7 milhões.
A empresa de açúcar e etanol teve um ganho contábil de R$ 331 milhões ao revisar o tratamento de incentivos fiscais de ICMS. Com base em decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e leis vigentes, a companhia substituiu créditos de depreciação acelerada por subvenções de investimento de 2020 a 2023.
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A estratégia compensou o que seria um trimestre mais fraco de resultados, já que a companhia decidiu postergar boa parte das vendas de seu etanol para o último trimestre da safra. Essa decisão fez com que a receita líquida do trimestre recuasse 13,6%, a R$ 1,593 bilhão. Apenas as vendas de etanol no mercado interno caíram em um terço, para R$ 559,6 milhões.
Segundo o CEO, Fábio Venturelli, a São Martinho comercializou no trimestre 20% a menos de produto (convertido em Açúcares Totais Recuperáveis, o ATR) no terceiro trimestre do que um ano atrás. “Tomamos uma decisão acertada, porque temos agora uma valorização importante do etanol”, disse.
Em outubro, a companhia migrou sua cana-de-açúcar para o máximo de etanol possível, diante da queda dos preços do açúcar e da melhor remuneração do biocombustível. Naquele momento, a empresa já esperava um aperto na oferta de etanol na entressafra, após a quebra na safra de cana do Centro-Sul.
Segundo Felipe Vicchiato, diretor financeiro, a São Martinho deixou para o quarto trimestre de 35% a 40% de todo o seu etanol desta safra. “E não tem problema de retirada. O consumo do ciclo Otto está aumentando, e a participação do etanol [no mercado de combustíveis] também”, disse. Segundo ele, os benefícios compensaram o custo financeiro para carregar o produto para este período.
Outro fator que está sustentando o volume de vendas de etanol é o combate à adulteração no bojo da Operação Carbono Oculto, que apreendeu navios com o metanol utilizado para “batizar” combustíveis. Segundo Venturelli, o etanol está agora ocupando o espaço que estava sendo ocupado pelo metanol e também pela água que era misturada nas bombas de etanol hidratado. Ele destacou, ainda, as iniciativas setoriais de marketing para promover o biocombustível.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) do trimestre caiu 25,6%, para R$ 787,1 milhões, e a margem Ebitda ajustado cedeu 8 pontos, para 49,4%. Como a dívida líquida cresceu 17,5%, para R$ 5,787 bilhões, a alavancagem teve um crescimento de 27,3%, para 1,82 vez.