Em janeiro, as exportações de algodão do Brasil alcançaram 316,9 mil toneladas, queda de 23,8% quando comparado o volume embarcado em igual período do ano passado. As receitas também caíram, com US$ 489,1 milhões, o faturamento foi 31,2% abaixo daquele registrado em janeiro de 2025, mostram dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anec).
Para Dawid Wajs, presidente da Anea, apesar da desaceleração mensal, o ritmo da safra segue consistente. “Nós estamos acostumados com recordes, mas 317 mil toneladas, historicamente, dentro de um mês, é um ótimo número. Está acima da média e perto dos maiores meses de exportação do Brasil”, disse, em nota.
Na leitura por ano-safra, considerada pela Anea de julho de um ano a junho do ano seguinte, o desempenho segue positivo. “Quando comparamos os volumes médios, a safra 2024/25 teve 240 mil toneladas exportadas por mês. Já de julho de 2025 até janeiro de 2026 estamos com média de 264 mil toneladas mensais. No mesmo período da safra anterior eram 257 mil. Ou seja, seguimos num ritmo acima”, observou Wajs.
Ainda de acordo com ele, mantida essa média de embarques, o Brasil pode encerrar a temporada com cerca de 3,2 milhões de toneladas exportadas. “Continuamos confiantes, apesar do desafio com a Índia. Precisamos manter o ritmo e seguir atentos aos mercados, entendendo onde devemos nos posicionar melhor”, acrescentou.
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China volta a ser principal comprador
Depois de algum tempo de compras retraídas e um ritmo maior das compras em dezembro, a China manteve a liderança retomada entre os principais destinos, absorvendo 36% dos embarques brasileiros. Na sequência aparecem Turquia (16,1%), Bangladesh (14,4%), Vietnã (9,1%), Paquistão (9%), Indonésia (5,1%), Malásia (3,7%), Egito (2,6%), Índia (1,9%), Tailândia (0,6%) e Colômbia (0,4%).
Segundo Wajs, o desempenho chinês é um dos pontos positivos do mês. “Quando comparamos a China com o ano passado, ela aumentou 45 mil toneladas em janeiro contra janeiro, e continua mantendo um ritmo bom de importação”, destacou.
Já a Índia registrou apenas seis mil toneladas importadas em janeiro. No ano passado, o país se destacou como principal destino do algodão brasileiro, totalizando 252,3 mil toneladas, em função de um regime tarifário especial, com isenção nas importações de algodão, que vigorou até o último 31 de dezembro. A queda nos embarques para a Índia neste início de ano reflete a suspensão do benefício.
“A Índia exportou um grande volume no segundo semestre do ano passado, mas neste primeiro mês de janeiro foram apenas seis mil toneladas. Isso é muito influenciado pela volta da tarifa de importação”, afirmou o presidente da Anea.