A Corteva, indústria americana de produção de sementes e agroquímicos, além de biológicos, encerrou o quarto trimestre de 2025 com um prejuízo líquido de US$ 552 milhões. No mesmo intervalo do ano anterior, a empresa teve prejuízo de US$ 41 milhões.
A receita líquida alcançou US$ 3,91 bilhões no quarto trimestre, 2% inferior ao valor apurado um ano antes. Em volume, houve queda de 5% nas vendas no período, principalmente devido a mudanças sazonais no cronograma para o terceiro trimestre de 2025 e primeiro trimestre de 2026, tanto em proteção de cultivos quanto em sementes, informou a companhia.
As vendas na área de proteção de cultivos caíram 2%, com a mudança sazonal na América do Norte para o primeiro trimestre de 2026 e pelo cronograma da demanda por fungicidas na América Latina.
As vendas de sementes recuaram 8% em relação ao ano anterior, devido principalmente à postergação de entregas na América do Norte para o primeiro trimestre de 2026, por conta de atrasos relacionados ao clima e à otimização de frete. Também houve antecipação para o terceiro trimestre de entregas antecipadas na América Latina.
O preço dos produtos subiu 1% na média. O preço do mix de sementes aumentou 3%, enquanto os preços na área de proteção de cultivos caíram 1%.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) somou US$ 446 milhões, ante US$ 525 milhões no quarto trimestre de 2024.
No consolidado do ano de 2025, a Corteva registrou prejuízo líquido de US$ 1,09 bilhão, ante prejuízo de US$ 907 milhões no ano anterior. A receita líquida no ano cresceu 3%, para US$ 17,40 bilhões. O Ebitda somou US$ 3,85 bilhões, ante US$ 3,37 bilhões no ano anterior.
“Nossos sólidos resultados no segundo semestre e no ano refletem a demanda contínua por nossas tecnologias diferenciadas e a execução disciplinada da empresa. Na área de proteção de cultivos, apesar do ambiente de preços desafiador em regiões-chave, incluindo América Latina e Ásia-Pacífico, registramos crescimento de vendas e lucros, impulsionado pelo aumento do volume de novos produtos e biológicos e por reduções significativas de custos”, afirmou Chuck Magro, CEO da Corteva.
O CEO também afirmou que a companhia avança nas ações para separação dos negócios em duas empresas de capital aberto independentes. “Estamos no caminho certo para concluí-la no segundo semestre de 2026”, afirmou Magro.
Cenário para 2026
Para este ano, a Corteva vê uma tendência mista para a agricultura global, com forte demanda e produção de safras, mas com preços de commodities pressionados e margens de lucros reduzidas para os agricultores. A empresa revisou para baixo sua projeção para 2026 e espera Ebitda entre US$ 4 bilhões e US$ 4,2 bilhões. O lucro operacional esperado é de US$ 3,45 a US$ 3,70 por ação.
Em relação ao acordo firmado em janeiro com a Bayer para encerrar um litígio nos Estados Unidos por infração de três patentes em um milho geneticamente modificado resistente ao herbicida Roundup, a Corteva afirmou que pôs fim aos litígios, “proporcionando clareza plurianual sobre o acesso à tecnologia e direitos de licenciamento”. “O acordo ajuda a acelerar o caminho da Corteva para a neutralidade de royalties até 2026, dois anos antes do previsto, e apoia a transição para uma licenciadora líquida de tecnologia de sementes a partir de então”, afirmou a companhia em relatório.
O litígio foi iniciado em agosto de 2022. O acordo foi homologado no fim de janeiro pelo juiz Gregory B. Williams, do Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito de Delaware.