
Um vídeo enviado por um passageiro à TV Cidade mostrou pombos sobre mesas da praça de alimentação da Rodoviária Engenheiro João Tomé, em Fortaleza, consumindo restos de alimentos em pratos. A imagem gerou preocupação sobre o risco de transmissão de doenças por essas aves.
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Em nota, a administração da rodoviária afirmou que cumpre rigorosamente as diretrizes de controle de aves no terminal. “Reforçamos junto aos estabelecimentos a necessidade de limpeza imediata e retirada de sobras de alimentos. Possuímos equipe própria para higienização de áreas comuns e temos instalado barreiras físicas para evitar a proximidade e permanência dos animais”, disse a gestão. A Agência de Fiscalização de Fortaleza informou que enviará equipe para verificar a ocorrência, enquanto a Secretaria Municipal de Saúde destacou a importância de evitar oferta de alimentos, água e abrigos para os pombos, além de reforçar a limpeza de superfícies e a manutenção de sistemas de ar-condicionado.
O infectologista Roberto da Justa explica que a proliferação de pombos representa risco à saúde pública. “As fezes das aves são vetores de infecções fúngicas e bacterianas. Os pombos são animais silvestres, são animais de vida livre, não são animais domesticáveis. É importante a gente pontuar isso para coibir, inibir quem tenta criar pombos. Não se deve criar pombos, eles são animais que devem ter sua vida livre. Quando você tenta criar pombos, você concentra uma população de animais, de aves, que pode ali gerar uma condição favorável à transmissão de doenças aos homens”, afirmou.
Segundo ele, muitas doenças podem ser transmitidas pelos pombos por diferentes mecanismos, incluindo pulmão, intestino e pele. “As fezes dos pombos podem ter uma quantidade muito grande de alguns microrganismos, principalmente alguns fungos. Eu destacaria o criptococos, mas também o histoplasma. São dois fungos muito importantes que estão nas fezes ressecadas dos pombos e que você pode inalar. Essas fezes com esses fungos podem causar uma micose, uma criptococose, uma histoplasmose, que pode causar doença no pulmão ou se disseminar, alcançando meninges, podendo causar doença disseminada, inclusive, principalmente em pessoas imunossuprimidas.”
Roberto da Justa ressaltou que idosos, crianças e pessoas com sistema imunológico debilitado são os mais vulneráveis. “Pacientes com alguma debilidade do seu sistema imunológico, idosos ou crianças muito vulneráveis são públicos mais suscetíveis a se infectarem por esse fungo e desenvolverem doença, principalmente doença grave”, afirmou.
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Para reduzir os riscos de contágio, o especialista recomenda cuidados específicos. “Principalmente em ambientes fechados, onde uma grande quantidade de pombos se aglomera em sótãos e em telhados. Nesses locais, isso pode ser uma escola, um hospital, uma casa. Nesses locais, onde você tem uma grande concentração de fezes de pombos, esse local é de alto risco, porque essas fezes podem ser aerossolizadas e entrar nos pulmões. Então, deve-se evitar, de alguma forma, que esse cenário se reproduza. Como a gente evita? Primeiro, evitar dar alimento para pombos, deixar os pombos se alimentarem no meio ambiente. Colocar nas casas, nos locais onde eles estão penetrando, telas. Ou, então, determinadas estruturas com espículas nos parapeitos, para que eles encontrem dificuldade de se estabelecer e ali permanecer e se reproduzir.”
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