
O plantio da soja no Rio Grande do Sul está praticamente encerrado, e os produtores agora esperam que o clima contribua para evitar mais uma safra com perdas no Estado.
Após o temor de uma nova estiagem durante o verão devido ao fenômeno La Niña, que reduz as chuvas no Sul do Brasil, os agricultores gaúchos ficaram “aliviados” com as precipitações que ocorreram entre novembro e janeiro, e torcem para não faltar água na reta final do desenvolvimento das lavouras.
Segundo a Emater/RS, empresa pública de extensão rural do Rio Grande do Sul, a semeadura da soja no Estado permanece em 98% da área prevista, que é de 6,7 milhões de hectares, uma estabilidade em relação à temporada 2024/25. O trabalho de plantio das últimas lavouras deve ser concluído nos próximos dias.
“Nesta safra houve um atraso da semeadura, porque a colheita do trigo ficou atrasada, demorando mais tempo para liberar as terras para a soja”, destaca Alencar Rugeri, assistente técnico em culturas da Emater/RS.
De modo geral, as lavouras apresentam bom desenvolvimento e o potencial produtivo da safra permanece elevado, afirma a Emater/RS, que prevê uma produtividade média de 3.180 quilos por hectare, um aumento de quase 60% em relação aos 2.009 quilos por hectare obtidos na temporada 2024/25, afetada por forte estiagem no verão. Porém, atingir esse potencial depende da regularização das chuvas, a fim de assegurar a adequada formação e enchimento de grãos.
“Em um cenário de curto prazo, estamos bem. Precisamos torcer para que as chuvas em fevereiro sejam regulares. Não teremos uma safra ‘excepcional, mas isso deve garantir que tenhamos bons resultados”, comenta Rugeri.
Essa é a expectativa de Leandro Ferreira Araújo, de Caçapava do Sul (RS), que plantou 759 hectares com soja, realizando a semeadura entre 1º de novembro e 18 de dezembro. Até a última semana de janeiro, o produtor estava preocupado com algumas áreas da plantação, que apresentavam déficit hídrico. Mas as chuvas que ocorreram nos últimos dias do mês contribuíram para renovar as esperanças.
“Não podemos nos queixar. Algumas partes da lavoura estavam sentindo falta de água, mas as últimas chuvas ajudaram. Se continuar assim, vamos ter uma safra razoável”, afirma.
Na última safra, afetada pela estiagem, Araújo havia colhido apenas 32 sacas por hectare. Agora, a expectativa do produtor é de colher mais de 50 sacas por hectare. O aumento da rentabilidade da lavoura também é uma esperança para cobrir os gastos financeiros da atividade. “Se colocar insumos, arrendamento, custo operacional, o gasto que tenho é de uns 40 sacos por hectare. As margens são baixas”, lamenta.
Outra questão que preocupa Araújo é o preço. “Hoje, aqui na região, estão pagando R$ 117 a saca, e os produtores comentam que pode baixar para R$ 110. Então vamos ter que colher muito bem para poder conseguir tirar os custos e renegociar dívidas”, comenta.
Initial plugin text
Segundo Gilberto Dickel da Fontoura, presidente da Cotrisul, cooperativa onde Araújo entrega sua produção, os problemas financeiros enfrentados pelos agricultores gaúchos afetaram o investimento nas lavouras. “Nossos cooperados semearam 420 mil hectares com soja. A área não mudou, porque locais onde algum produtor não plantou foram assumidos por outro. Mas a utilização de insumos, como fertilizantes, ficou comprometida porque o produtor está muito descapitalizado”, comenta.
Fontoura espera que produtividade média entre das áreas dos cooperados atinja cerca de 50 sacas por hectare, o dobro das 25 sacas por hectare registradas em 2024/25. “Se o clima for espetacular, como vem sendo até agora, talvez a carência de investimento nas lavouras não prejudique tanto a produtividade. Agora, se começar a faltar chuva, tudo vai ficar mais complicado.”






