
Após recuar mais de 40% no ano passado, o cacau iniciou 2026 com novas baixas expressivas na bolsa de Nova York e foi a commodity agrícola que mais se desvalorizou em janeiro, segundo levantamento do Valor Data. A queda reflete a retração na demanda e a perspectiva de alívio na oferta. Na bolsa de Chicago, o destaque de queda foi a soja, em decorrência do otimismo dos investidores com o potencial de uma grande safra no Brasil.
Em Nova York, os contratos de segunda posição do cacau fecharam o mês de janeiro em queda de 14,4%, para um valor médio de US$ 5.065 a tonelada, segundo levantamento do Valor Data.
De acordo com Carolina França, analista de mercado da Hedgepoint Global Markets, os preços caíram de forma mais acentuada após a divulgação dos dados de processamento de cacau no quarto trimestre de 2025 na Europa e na Ásia. Nessas regiões, a moagem teve queda de 8,3% e 4,8%, respectivamente, em relação a igual período do ano anterior.
A retração na moagem de cacau em importantes centros consumidores reflete a queda na demanda depois de um período em que as cotações atingiram valores recorde. O clima mais favorável nas principais regiões produtoras de cacau no mundo também ajudou a derrubar os preços em janeiro na bolsa.
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“O volume de precipitação na Costa do Marfim e no Equador melhorou este ano em relação à safra passada, e isso colabora para manutenção de expectativas de uma melhor produção”, reforçou França. A Costa do Marfim lidera a produção mundial de cacau, enquanto o Equador está na terceira posição e pode até assumir o posto de Gana este ano, que está em segundo lugar.
O destaque de alta na bolsa de Nova York em janeiro foi o suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês). Os contratos de segunda posição dispararam e subiram 22,1%, para um valor médio de US$ 2,0763 a libra-peso.
Na visão de Andres Padilla, analista sênior do Rabobank, a reação no mercado de suco se deveu a um ajuste de posição por parte dos investidores, que aproveitaram a baixa de 66% do produto em 2025 para voltar a comprar papéis em janeiro.
“Com a alta de janeiro, voltamos a um patamar mais equilibrado, cerca de US$ 2 a libra-peso, que representa melhor o momento atual do mercado, já que permanecem as incertezas em relação à nova safra 2026/27”, disse Padilla ao Valor.
Ainda do lado das baixas na bolsa de Nova York, os preços do café recuaram em janeiro, em meio ao desenvolvimento considerado satisfatório da safra do Brasil, maior exportador mundial da espécie arábica. Os contratos futuros recuaram 4,5%, a US$ 3,3845 a libra-peso.
A produção maior que a demanda também pressionou o mercado de açúcar em janeiro. As cotações fecharam janeiro em queda de 1% em Nova York, com o valor médio de 14,38 centavos de dólar a libra-peso. Na mesma bolsa, os preços futuros do algodão avançaram 1,5% no mês passado, com média de 65,82 centavos de dólar a libra-peso.
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Na bolsa de Chicago, os grãos caíram, diante de projeções que apontam para uma oferta robusta. No caso da soja, os contratos fecharam janeiro em queda de 2%, para um valor médio de US$ 10,6584 o bushel.
Enílson Nogueira, analista da Céleres Consultoria, vê o mercado com sobreoferta de soja no momento, cenário que dificulta movimentos de alta no preço.
“Em relação ao Brasil, o sentimento é de uma safra mais próxima de 180 milhões de toneladas do que das 175 milhões previstas anteriormente. Além disso, os EUA não conseguiram exportar tanto quanto se imagina nesta temporada, e a produção da Argentina caminha para ficar dentro da normalidade. Esse cenário reforça nossa leitura de um mundo com excesso de soja”, disse.
O milho caiu em Chicago também pela perspectiva de uma ampla oferta. O cereal fechou janeiro em queda de 2,25%, com valor médio de US$ 4,3865 o bushel.
Segundo Nogueira, as estimativas mais recentes do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para a safra de milho do país direcionaram os preços. Em seu relatório de oferta e demanda de janeiro, o órgão elevou para 432,34 milhões de toneladas a previsão de colheita americana no ciclo 2025/26, uma produção recorde. Em dezembro, o USDA havia projetado uma safra de 425,53 milhões de toneladas.
No mercado de trigo, os contratos futuros tiveram leve baixa, de 0,01%, e fecharam com preço médio de US$ 5,2899 o bushel.






