
As ações da Bayer subiam 6,95% na bolsa de Frankfurt, para 44,40 euros por ação, nesta segunda-feira (19/1), após o Supremo Tribunal dos Estados Unidos aceitar um recurso da alemã para analisar sua contestação relacionada ao caso Durnell Roundup.
A empresa tenta pôr fim a cerca de 67 mil processos nos EUA com base na alegação de que o herbicida provoca câncer.
O pedido de análise foi feito em abril de 2025, e a Bayer espera uma decisão sobre o mérito da causa durante a sessão da Corte prevista para terminar em junho.
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A Bayer está envolvida no litígio desde que comprou a Monsanto, em 2018, empresa que desenvolveu o herbicida.
“A decisão da Suprema Corte de aceitar o caso é uma boa notícia para os agricultores americanos, que precisam de clareza regulatória”, afirmou em comunicado Bill Anderson, CEO da Bayer.
“É hora de o sistema jurídico americano estabelecer que as empresas não devem ser punidas pelas leis estaduais por cumprirem os requisitos federais de advertência nos rótulos”, acrescentou o CEO.
A Bayer alegou ainda que as principais agências reguladoras do mundo concluíram que os herbicidas à base de glifosato podem ser usados com segurança.
Anteriormente, a Suprema Corte solicitou a opinião do procurador-geral, que apresentou um parecer em dezembro de 2025, em nome do governo dos Estados Unidos, concordando que a Corte deveria analisar o caso e decidir a favor da empresa.
Na petição, o procurador-geral John Sauer argumentou que a Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos EUA já determinou em diferentes decisões que o glifosato não é cancerígeno para humanos e aprovou rótulos do Roundup sem advertências sobre câncer. E que manter a decisão seria ignorar as decisões científicas especializadas da EPA.
Em outubro de 2023, o Tribunal do Missouri decidiu que a Bayer deveria indenizar John Durnell, que argumentou que seu diagnóstico de linfoma não Hodgkin estava ligado à exposição ao Roundup. Os advogados sustentaram que a empresa não alertou os consumidores para os riscos do produto.
O júri deu sentença favorável ao autor, considerando que a empresa não alertou sobre os riscos do produto. A justiça fixou uma indenização de US$ 1,25 milhão. A empresa apelou em agosto de 2024 e o Tribunal de Apelações do Missouri manteve a decisão em fevereiro de 2025.
A empresa então entrou com recurso na Suprema Corte do Missouri, que recusou a revisão em abril de 2025. O recurso da Bayer sustenta que, nesses casos, a lei federal deve prevalecer sobre a lei estadual. O pedido de revisão foi levado então à Suprema Corte dos Estados Unidos, no mesmo mês, para esclarecer a ambiguidade.





