A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) comemorou neste sábado (17) a assinatura do Acordo de Livre Comércio Mercosul-União Europeia, após 26 anos do início das negociações.
Em comunicado, afirmou que para a indústria brasileira de café torrado, torrado e moído, e de café solúvel, o acordo resultará na eliminação da barreira tarifária média de 7,5 % e 9%, respectivamente, “permitindo que, após cinco anos da entrada em vigor do acordo, os cafés brasileiros entrem na Europa com tarifa zero”.
A entidade cita que a desagravação tarifária para os cafés industrializados acontecerá de forma gradual: 20% na entrada em vigor do acordo; 40% no ano seguinte, 60% no ano 2; 80% no ano 3 e 100% no ano 4.
Pavel Cardoso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic)
Abic/Divulgação
A Abic destaca que o pacto comercial também traz o reconhecimento de indicações geográficas brasileiras, como os cafés do Cerrado Mineiro, Caparaó e Matas de Rondônia. “Com isso, teremos maior proteção às nossas denominações de origem e a possibilidade de incremento no valor agregado dos nossos cafés”, diz a entidade na nota.
Outra vantagem para o produto brasileiro no bloco europeu, segundo a Abic, é que, por não ser considerado item “sensível”, está livre das salvaguardas da União Europeia, que podem suspender, temporariamente, as preferências tarifárias aplicáveis à importação.
“O Brasil é o maior produtor de café, responsável por 40% da produção global, e o maior exportador mundial de café, mas, fica com apenas 2,7% da receita global do café no mundo, porque exporta sobretudo café verde (…). Esse acordo é uma grande oportunidade e se alinha diretamente ao projeto da Abic de aumentar as exportações brasileiras na forma de cafés industrializados com alto valor agregado e, assim, aumentar a justa participação do Brasil na receita total do café ao redor do mundo”, afirma Pavel Cardoso, presidente da Abic, na nota.