
O Banco Central do Brasil (BC) decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., antiga Reag Trust DTVM, sediada em São Paulo, por graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
O ato, assinado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, baseia-se em infrações como falhas na gestão de risco, crédito e liquidez entre julho de 2023 e julho de 2024, identificadas em relatórios ao TCU e ligadas a fundos da Reag que negociavam com o Banco Master. A instituição, classificada no segmento S4 (menores do SFN, com menos de 0,001% do ativo total), encerra operações imediatamente, com bens de controladores e ex-administradores indisponíveis por lei.
A Reag surge no escândalo do Banco Master, liquidado em novembro de 2025 após suspeitas de fraude bilionária na venda de carteiras de crédito ao BRB, envolvendo o fundador Daniel Vorcaro e o da Reag, José Carlos Mansur. Fundos como Hans 95, administrados pela Reag, negociavam CDBs do Master, em meio a apurações de lavagem de dinheiro via setor de combustíveis e o PCC, conforme Operação Carbono Oculto.
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A liquidação veio um dia após a segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF na quarta-feira (14), com buscas contra Mansur e Vorcaro por supostas fraudes em fundos de investimento. Paralelamente, o TCU audita o Master, enquanto o BC reforça o cerco regulatório para proteger o SFN.
O BC prosseguirá com investigações internas, podendo impor sanções administrativas e notificar Ministério Público e PF. O episódio expõe vulnerabilidades em distribuidoras menores e fundos de alto rendimento, como o da Reag que multiplicou patrimônio sob escrutínio, ampliando a crise iniciada com o Master.
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Do que se trata o caso Master?
A investigação apura uma fraude bilionária envolvendo o Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 após investigações da Polícia Federal (PF) revelarem irregularidades graves no Sistema Financeiro Nacional.
O banco, controlado por Daniel Vorcaro, emitiu cerca de R$ 50 bilhões em CDBs prometendo juros até 40% acima da taxa de mercado, sem liquidez real para honrar os pagamentos. Para inflar o caixa artificialmente, o Master adquiriu carteiras de crédito “fantasmas” da empresa Tirreno sem pagamento e as revendeu ao BRB por R$ 12,2 bilhões, incluindo prêmios superfaturados, em operações entre 2024 e 2025 que somaram R$ 16,7 bilhões.
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O Banco de Brasília (BRB) injetou bilhões no Master para “socorrê-lo” (em meio a tentativas frustradas de aquisição barradas pelo BC), gerando suspeitas de gestão fraudulenta por seus dirigentes. A PF identificou prejuízos à higidez do SFN, com crimes previstos na Lei 7.492/86, como gestão fraudulenta de instituição financeira, punível com 3 a 12 anos de prisão. Vorcaro foi preso em novembro de 2025 no aeroporto de Guarulhos ao tentar fugir para Malta.
A crise se ampliou com a liquidação da Reag Trust (CBSF DTVM) nesta semana, ligada a fundos como Hans 95 que negociavam CDBs do Master. Operações como Compliance Zero e Carbono Oculto investigam lavagem de dinheiro envolvendo PCC e setor de combustíveis.
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