Os R$ 30,2 bilhões em recursos mobilizados no segundo leilão do programa EcoInvest, para financiar a recuperação de pastos degradados, deverão ser contratados em dois anos e converter entre 2 milhões e 3 milhões de hectares. Essas são as estimativas de Carlos Ernesto Augustin, assessor especial do Ministério da Agricultura e responsável pelo Caminho Verde Brasil na Pasta.
“O plantio é normalmente no segundo semestre, então no meio do ano [o produtor] já começa a preparar a terra. Já tem o arcabouço financeiro, os bancos já estão colhendo os projetos. Vai ser um ano forte”, afirmou.
Para colocar esse dinheiro na praça, o Tesouro Nacional realizou um leilão junto a instituições financeiras no ano passado de recursos de linha pública. Do total demandado, R$ 16,5 bilhões virão do Tesouro para compor a oferta para essa linha, a uma taxa de juros de 1% ao ano. O restante, R$ 13,7 bilhões, foi quanto os bancos garantiram que contribuiriam para a linha, captando R$ 8,25 bilhões no exterior e R$ 5,4 bilhões no mercado interno.
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A primeira operação foi contratada em dezembro do ano passado pela Adecoagro junto ao Itaú BBA, como informou o Valor. O banco liberou R$ 100 milhões para a companhia converter 4 mil hectares de pastos degradados em lavoura de cana, o que representa um custo médio de transformação por hectare de R$ 25 mil.
Para Augustin, o recurso do EcoInvest deve ter demanda elevada por causa das taxas atrativas — a expectativa é que o custo final aos tomadores fique significativamente abaixo da Selic devido ao capital garantido pelo Tesouro.
Como o programa deve abranger investimentos em diferentes culturas, é possível esperar um custo médio de conversão de R$ 15 mil a R$ 20 mil o hectare, afirmou Augustin. Ele também aposta em projetos para converter áreas degradadas em plantações de milho para abastecer os aviários no Nordeste e em lavouras de cacau irrigado no Cerrado. “O cacau subiu muito de preço”, lembrou.
Ele também espera que o Caminho Verde Brasil receba neste ano US$ 1 bilhão prometidos pela Jica, a agência japonesa de cooperação internacional. A agência já havia sinalizado com esse aporte há três anos, mas desde então vem buscando definir as diretrizes de aplicação do recurso. Segundo o assessor do ministério, a Jica faz questão de que o dinheiro chegue a pequenos produtores e seja aplicado de forma diversificada.