
Os registros de ferrugem asiática na safra 2025/26 somam 149 casos no país até esta sexta-feira (9/1), de acordo com o Consórcio Antiferrugem, superando o total de casos em toda a safra 2024/25, que chegou a 124 casos. O maior volume de registros é no Paraná, com 91 casos, ante 66 na safra 2024/25.
De acordo com o Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, o clima trouxe impacto negativo ao desenvolvimento da safra no segundo maior produtor de soja do país. No Paraná, a produção da oleaginosa deve chegar a 21,3 milhões de toneladas, com pequena retração em relação à temporada 2024/25. Mas a redução pode ser maior à medida que a colheita avança no Estado. Nesta semana, a colheita atingiu 40% da área plantada, de 5,77 milhões de hectares.
“O aumento no número de relatos não indica perda de controle da doença, mas sim que a ferrugem foi identificada na região e precisa ser manejada adequadamente”, afirmou Cláudia Godoy, pesquisadora da Embrapa Soja.
Em Mato Grosso, maior Estado produtor de soja do país, ainda não há registro de casos de ferrugem asiática, segundo o Consórcio Antiferrugem. O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) projeta uma produção de 47,18 milhões de toneladas de soja, com queda de 7,29%, influenciada por problemas com estiagem e altas temperaturas nas fases iniciais de desenvolvimento das lavouras.
Já em Mato Grosso do Sul, houve aumento importante no número de registros de ferrugem asiática, chegando a 46 casos até sexta-feira, ante 12 em toda a safra 2024/25. A produção no Estado está estimada em 15,2 milhões de toneladas, 6% acima da temporada passada.
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O Consórcio Antiferrugem também registrou casos no Rio Grande do Sul (5), São Paulo (4) e Santa Catarina (2). Na avaliação de Godoy, a maior ocorrência de relatos no Sul do país deve-se à maior sobrevivência de plantas voluntárias — que nascem espontaneamente após a colheita — de soja na entressafra e ao monitoramento da doença.
O clima mais úmido durante o inverno favorece a sobrevivência da soja voluntária e, como consequência, o fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem, encontra meios de sobreviver. “No Cerrado, onde o inverno é mais seco, essa sobrevivência é menor”, disse a pesquisadora.
Ainda segundo o Consórcio Antiferrugem, os registros no sistema são voluntários e dependem da atuação de técnicos e agrônomos em campo. Regiões com forte presença de cooperativas, como o Paraná, acabam apresentando mais notificações.
Já no Centro-Oeste, o clima mais seco acaba ajudando no controle da doença. Mas outras enfermidades, como a mancha-alvo, têm maior relevância econômica, disse Godoy.
O Consórcio Antiferrugem reúne 100 laboratórios cadastrados no país para identificar a doença e 60 pesquisadores. A plataforma monitora os registros de ferrugem asiática em tempo real durante a safra.






