A restrição francesa à importação de alimentos que apresentem resíduos de mancozebe, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim não deve afetar significativamente o setor de frutas. A avaliação é do diretor institucional da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), Luiz Roberto Barcelos.
“Boa parte da fruta que a gente exportada para a Europa por via marítima não vai direto para França. Ela passa por portos holandeses e espanhóis e, uma vez internalizada na União Europeia, ela circula livremente lá dentro. Portanto, a França não tem como banir ou como restringir a entrada de produtos brasileiros”, afirma Barcelos. No acumulado de 11 meses de 2025, a França importou 7,8 mil toneladas de frutas de um total de 889,6 mil toneladas enviadas ao continente europeu.
Ainda de acordo com o diretor institucional da Abrafrutas, a motivação francesa de restringir essas quatro moléculas é uma medida muito mais protetiva de mercado de comércio do que de saúde pública. “Nós já temos que cumprir uma série de requisitos para exportar para a Europa e só podemos usar os produtos que eles aceitam. Nós não podemos usar produto químico banido na Europa”, destaca Barcelos.
A proibição anunciada pela França, afirma, vai além das normas estabelecidas pelo bloco europeu. “Tem que deixar claro que isso não faz mal a saúde humana, porque se ela fizesse a saúde humana, nós também não poderíamos utilizar”, defende Barcelos.
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Das quatro moléculas proibidas pela França, uma teve o uso proibido no Brasil em 2022, o fungicida sistêmico carbedazim, e outra, a tiofanato-metílico encontra-se atualmente em processo de reavaliação, devido a sua mutagenicidade, carcinogenicidade e toxicidade para a fisiologia reprodutiva e toxicidade para o desenvolvimento embriofetal e neonatal.
Já ao fungicida de contato mancozebe é usado em 96 culturas diferentes, dentre elas abacaxi, manga, melão, cana-de-açúcar, soja, entre outros. O herbicida glufosinato, por sua vez, tem uso autorizado em 86 culturas diferentes