O governo da China anunciou, na última quarta-feira (31/12), a imposição de medidas de salvaguarda sobre a carne bovina importada. A medida inclui tarifa adicional de 55% quando os volumes ultrapassarem cotas previamente estabelecidas.

O Ministério do Comércio chinês alega que o aumento das importações do produto nos últimos anos provocou dano grave à indústria local de carne bovina.

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Enquanto no Brasil a medida foi recebida com preocupação, no vizinho Uruguai o sentimento é o oposto. O ministro da Pecuária e Agricultura, Alfredo Fratti, considerou que trata-se de uma boa notícia, já que a cota para o Uruguai chegou a 325 mil toneladas – um volume que o país sul-americano nunca superou.

Segundo o site Subrayado, Fratti também observou que, se essa tarifa adicional afetar as vendas do Brasil, o Uruguai poderia até aumentar suas exportações caso a China necessite de um volume maior de carne.

Na Austrália, a adoção de salvaguardas pela China foi alvo de críticas. O Conselho Australiano da Indústria de Carnes (Amic, na sigla em inglês) informou em nota que está “extremamente decepcionado” com o anúncio.

“Essa decisão parece premiar outros países que emergiram no volume de exportação de carne bovina para o mercado chinês nos últimos anos”, disse o diretor executivo da entidade, Tim Ryan.

As restrições têm o potencial de reduzir as exportações de carne bovina australiana para a China em cerca de um terço – um comércio avaliado em mais de US$ 1 bilhão, segundo a organização.

Outro grande exportador de carne bovina, a Nova Zelândia considera improvável que as medidas de salvaguarda da China restrinjam as suas exportações ao gigante asiático. O país da Oceania terá uma cota anual de 206 mil toneladas.

“Essa cota, embora indesejável, é maior do que as exportações de carne bovina para a China nos últimos dois anos, que giraram em torno de 150 mil toneladas por ano, e é improvável que as exportações da Nova Zelândia enfrentem restrições sob esses acordos”, afirma o Ministro do Comércio e Investimento, Todd McClay.