
O Santander vai colocar de pé ainda em janeiro um Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) de terras para gerenciar as fazendas recuperadas em execuções de dívidas de produtores endividados, principalmente os que entraram com pedidos de recuperação judicial.
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O objetivo não será vender cotas, mas viabilizar uma estrutura para administrar e cuidar das áreas retomadas, com possível rentabilidade a partir do arrendamento das fazendas. A ideia é gerenciar os ativos até o mercado de terras no Brasil melhorar e o banco conseguir vender as propriedades para colocar o “dinheiro perdido” nas operações de volta ao caixa.
Carlos Aguiar, diretor de Agronegócios do Santander, disse que 20 fazendas recuperadas em execuções desde 2024 serão transferidas do balanço do banco para o fundo, mas não revelou valores. A instituição vai contratar um gestor profissional para administrar o veículo, que já foi criado.
“Como estratégia, montamos um Fiagro de terras e estamos colocando um gestor profissional para tomar conta. Somos 100% donos do Fiagro, não estamos vendendo cotas para ninguém. A ideia é que, a partir do momento que temos um veículo e um administrador profissional, possamos ter essas fazendas dando algum arrendamento, com retorno de renda”, disse o executivo ao Valor.
A criação do Fiagro também permite flexibilidade para o banco decidir a quem arrendar ou vender futuramente. “Podemos vender parcelado para receber no Fiagro. Ganhamos uma ferramenta, e é mais flexível em relação a deixar [as terras] no balanço do banco”, explicou.
“Banco não quer ser dono de fazenda, não quer plantar, não quer ter gado. Estou executando quem não quer conversar comigo para renegociar a dívida e pede recuperação judicial”, afirmou.
Mesmo assim, ele tem enfrentado dificuldades nas execuções por conta dos entendimentos jurídicos. “O produtor pede a recuperação, mas tenho uma alienação fiduciária que é extraconcursal. Mesmo assim, há decisões para que esperemos o stay period até o juiz autorizar [a execução]”, contou.
A recuperação de bens alienados chega a levar até um ano, enquanto o prazo normal seria de dois meses, revelou. “A hipoteca é o que mais machuca, tem bastante ainda, e demora-se até cinco anos para executar”, contou Aguiar.
As 20 fazendas têm tamanhos e perfis diferentes, disse o executivo. Outras dezenas de áreas estão em processo de execução e deverão ser transferidas diretamente para o fundo. “Até agora, nós colocávamos as fazendas no balanço do banco. O fundo está fazendo a due diligence para receber as fazendas. Talvez nas próximas vezes possamos fazer uma cessão de crédito e transferir diretamente para o Fiagro, sem passar no balanço”, avaliou.
O Santander não planeja vender essas áreas agora. “Não vou piorar o mercado colocando essas propriedades à venda imediatamente, até porque o mercado está bem ruim. Devemos esperar o mercado melhorar, e acreditamos que vá, para vender as fazendas e por o dinheiro de volta”, destacou.






