Apesar do crescimento expressivo das buscas online por insumos agrícolas, os marketplaces do agronegócio continuam deixando passar uma das maiores datas comerciais do ano para o varejo digital: a Black Friday. Um estudo da Macfor revela que, mesmo com aumento consistente no interesse do produtor rural por compras digitais, as plataformas do setor não conseguem converter essa demanda em experiência e vendas.

Entre os produtos mais pesquisados em 2025, destacam-se ureia (74 mil buscas), tratores (60,5 mil) e glifosato (18,1 mil). A comparação com 2024 mostra crescimento robusto: cocho para gado (+16,67%), tratores (+12,5%) e glifosato (+10,61%). Esses números indicam que o produtor rural está cada vez mais digital, mas encontra barreiras nos canais de venda.
Rejeição alta e promoções tímidas
O levantamento aponta problemas críticos na navegação. Muitos sites exigem login para visualizar preços, escondem produtos logo no início e apresentam layouts pouco intuitivos. As consequências são elevadas taxas de rejeição.
Embora algumas iniciativas pontuais tenham surgido — descontos de até 80%, frete grátis e condições facilitadas —, faltam campanhas estruturadas. As categorias mais exploradas foram rações, controle biológico, veículos, maquinário pesado e fertilizantes. No entanto, o investimento em tráfego pago segue em queda pelo terceiro ano consecutivo.
Oportunidade para quem agir rápido
Para a Macfor, a Black Friday deveria funcionar como catalisador de inovação no comércio agrícola. A adoção de boas práticas de e-commerce — transparência nas ofertas, páginas mais leves e campanhas digitais consistentes — pode transformar resultados e gerar vantagem competitiva. “O produtor já está pronto para uma jornada digital semelhante à do varejo. Cabe ao agro acelerar”, conclui o estudo.