A Raízen divulgou hoje (14) em suas informações trimestrais (ITR) que teve um prejuízo líquido consolidado de R$ 2,3 bilhões no segundo trimestre da safra 2025/26. Com isso, a companhia já acumula R$ 4,1 bilhões em prejuízos nesta temporada.
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A companhia começou a receber uma parte dos recursos da venda de ativos no segundo trimestre, mas a proporção ainda é pequena ante o total acertado. No período de julho a setembro, entraram no caixa da companhia R$ 900 milhões, e a empresa informou que espera receber mais R$ 3,9 bilhões em vendas já realizadas e em negociação “nos próximos meses”.
O balanço foi fortemente afetado tanto pela menor geração de caixa operacional, como pela venda de ativos e pelo pior desempenho dos ativos com os quais permaneceu, além do alto serviço de sua dívida. Segundo a Raízen, a hibernação e venda de ativos resultou em uma baixa com impacto contábil, sem efeito caixa, de R$ 1 bilhão em seu resultado líquido.
A empresa registrou um gasto financeiro de R$ 2,8 bilhões com o custo de sua dívida bruta apenas no último trimestre. Os gastos com o serviço de sua dívida cresceram tanto em função da alta dos juros (a taxa média do CDI subiu de 10,4% para 14,9% em um ano) como do próprio volume da dívida em si.
Dívida
No fim do trimestre, a dívida líquida da Raízen era de R$ 53,4 bilhões, uma alta de 48,8% na comparação com o mesmo período da safra passada. Somente em relação ao fim do primeiro trimestre, a dívida da companhia cresceu 8,5%, ou R$ 17,5 bilhões.
Em comunicado, a companhia explicou que esse aumento trimestral justifica-se pela substituição de linhas de capital de giro, no valor de R$ 12,1 bilhões e pelo consumo de caixa somado aos juros acumulados sobre a dívida, que totalizaram R$ 5,4 bilhões.
O resultado operacional também foi mais fraco. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado caiu 12,8%, para R$ 3,3 bilhões. A companhia vendeu menos açúcar e etanol, em parte por causa da menor moagem de cana, e ainda penou com margens mais apertadas no negócio de distribuição de combustíveis na Argentina.
Paralisação de usinas
Segundo a Raízen, a redução do volume de cana processado nesta safra é reflexo da paralisação das atividades das usinas MB e Santa Elisa. Se essas usinas forem desconsideradas da safra passada, a moagem total da empresa estaria estável, em 58 milhões de toneladas.
A relação entre dívida líquida e Ebitda saltou de 4,5 vezes no fim do primeiro trimestre para 5,1 vezes no fim do segundo trimestre.
O Ebitda ajustado do negócio de açúcar, etanol e bioenergia caiu 26%, para R$ 1,8 bilhão. Já o Ebitda ajustado do negócio de distribuição de combustíveis no Brasil cresceu 24,7%, para R$ 1,4 bilhão, e o Ebitda ajustado de distribuição de combustíveis na Argentina caiu 25,3%, para R$ 75,4 milhões.